APRESENTAÇÃO

Textos e silêncios pretende ser um espaço reflexivo ecumênico, fundamentalmente voltado para a vida concreta das pessoas a partir de textos e livros, mas também do caminhar contemplativo e meditativo, da vivência amorosa e solidária dos que, de alguma forma, partilharam comigo suas vidas, dores, sofrimentos e esperanças. A eles - e a vocês - devo a minha vida, o olhar que desenvolvi de existência e a experiência cristã do encontro com o Cristo servidor que nos salva. A eles sou devedor, minha eterna gratidão.

sábado, 8 de setembro de 2012

Homilia do dia 09 09 2012


Tivemos a honra de participar do Concilio da diocese de são Paulo da Igreja Anglicana que se encerrou neste sábado, onde foi eleito o Sr. Reverendo Flavio Irala para ser o novo bispo de nossa diocese, em substituição ao Sr. Reverendíssimo bispo Dom Roger Bird que em janeiro se aposenta. Esperamos que o Espirito Santo de Deus esteja a seu lado iluminando seus passos, para que possamos servir com alegria e devoção ao Senhor por todos os recantos em que passarmos.
Meus irmãos, minhas irmãs,
A Palavra de Deus nos fala hoje para sermos fortes, mesmo em uma situação de dificuldade. Foi escrita em um momento de extrema dificuldade na história do povo de Israel, no pós-exílio, como povo dominado e explorado e pedia uma atitude de esperança perseverante.
Na belíssima carta de Tiago Deus nos fala com simplicidade que o caminho do Senhor está escrito numa lei que é liberdade porque construída com amor, com escuta e acolhimento do outro e do diferente. A liberdade é construída com a doçura do amor e do testemunho do cuidado mútuo, do serviço, da fraternidade. O texto exemplifica nos falando da caridade e ponderação no falar, mas também no socorrer os órfãos e viúvas em aflição e dor.
Queridos, o evangelho deste dia nos fala de um surdo que falava com dificuldade que foi curado por Jesus. Pediram para que Jesus o curasse no meio do povo, por imposição das mãos. Jesus o faz de forma discreta, sem agir no meio de todos, sem deixar marcas e espetáculos. Jesus o afastou da multidão, olhou dentro dos seus olhos – em plena relação e comunhão amorosa. Jesus ainda insistiu para que não falasse nada a ninguém. Fez isto, segundo os biblistas, pois não quer que o identifiquem com um projeto messiânico de caráter davídico – em que o messias seria um rei poderoso como Davi, mas como vai paulatinamente desvelando por todo o Evangelho de Marcos, como um Deus servo sofredor. O toque de Jesus, a experiência direta com Ele – ontem como hoje – pode e deve fazer com que nos deliciemos em falar, cantar e testemunhar Seu amor, com atos, palavras e a entrega de toda a nossa vida.
Ocorre, porém, que isto só é possível se nos afastarmos da multidão, do burburinho, da agitação, do consumismo, da liquidez que faz escorrer a vida e a nossa humanidade. É preciso nos retirarmos do mundo insensato do poder, da arrogância, da “felicidade” comprada e vazia. É preciso cultivarmos o silêncio, silêncio em que se faz o vazio para que Deus nos fale e possamos ouvir. Ouvir Sua voz, vermos a concretude de Sua presença, nos deixarmos tocar, abraçar, acolher. Sentir nossa pequenez, nossa fragilidade, nossas dificuldades bem concretas e humanas.
Mergulharmos.
Permitir que Deus nos olhe, ampare e use para Seu serviço sabendo que Sua graça nos conquistou e haverá de guiar os passos de Sua Igreja, de seus amigos, de seus íntimos, pois são, em última instância, os Seus passos.
Que neste momento solene e auspicioso de renovação de nossa Igreja, que cada um e cada uma renove em sua vida seu encontro com o Cristo, que nossos encontros e vínculos celebrem Sua vinda, Sua presença em nosso meio, em especial pela presença do santo Espírito e da Santa Eucaristia.
Que tenhamos a graça e a proteção Dele para renovarmos a cada dia o amor e a paixão pelo Seu caminho, Sua Palavra, Seu agir.

Cardeal Martini: A Igreja retrocedeu 200 anos. Por que temos medo?


CEBI

Cardeal Martini: A Igreja retrocedeu 200 anos. Por que temos medo?

Terça-feira, 4 de setembro de 2012 - 20h18min
O padre Georg Sporschill, o coirmão jesuíta que entrevistou o cardeal em Diálogos noturnos em Jerusalém, e Federica Radice se encontraram com Martini no dia 8 de agosto: "Uma espécie de testamento espiritual. O cardeal Martini leu e aprovou o texto". A entrevista é de Georg Sporschill e Federica Radice Fossati Confalonieri, publicada no jornal Corriere della Sera, 01-09-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


Eis a entrevista.

Como o senhor vê a situação da Igreja?


A Igreja está cansada na Europa do bem-estar e na América. A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes, as nossas casas religiosas estão vazias, e o aparato burocrático da Igreja aumenta, os nossos ritos e os nossos hábitos são pomposos. Essas coisas expressam o que nós somos hoje? (...)
O bem-estar pesa. Nós nos encontramos como o jovem rico que, triste, foi embora quando Jesus o chamou para fazer com que ele se tornasse seu discípulo. Eu sei que não podemos deixar tudo com facilidade. Menos ainda, porém, poderemos buscar pessoas que sejam livres e mais próximas do próximo, como foram o bispo Romero e os mártires jesuítas de El Salvador. Onde estão entre nós os nossos heróis para nos inspirar? Por nenhuma razão devemos limitá-los com os vínculos da instituição.

Quem pode ajudar a Igreja hoje?

O padre Karl Rahner usava de bom grado a imagem das brasas que se escondem sob as cinzas. Eu vejo na Igreja de hoje tantas cinzas sobre as brasas que muitas vezes me assola uma sensação de impotência. Como se pode livrar as brasas das cinzas de modo a revigorar a chama do amor? Em primeiro lugar, devemos procurar essas brasas. Onde estão as pessoas individuais cheias de generosidade como o bom samaritano? Que têm fé como o centurião romano? Que são entusiastas como João Batista? Que ousam o novo como Paulo? Que são fiéis como Maria de Mágdala? Eu aconselho o papa e os bispos a procurar 12 pessoas fora da linha para os postos de direção. Pessoas que estejam perto dos pobres e que estejam cercadas por jovens e que experimentam coisas novas. Precisamos do confronto com pessoas que ardem, de modo que o espírito pode se difundir por toda parte.

Que instrumentos o senhor aconselha contra o cansaço da Igreja?

Eu aconselho três instrumentos muito fortes. O primeiro é a conversão: a Igreja deve reconhecer os próprios erros e deve percorrer um caminho radical de mudança, começando pelo papa e pelos bispos. Os escândalos da pedofilia nos levam a tomar um caminho de conversão. As questões sobre a sexualidade e sobre todos os temas que envolvem o corpo são um exemplo disso. Estes são importantes para todos e, às vezes, talvez, são até importantes demais. Devemos nos perguntar se as pessoas ainda ouvem os conselhos da Igreja em matéria sexual. A Igreja ainda é uma autoridade de referência nesse campo ou somente uma caricatura na mídia?

O segundo é a Palavra de Deus. O Concílio Vaticano II restituiu a Bíblia aos católicos. (...) Somente quem percebe no seu coração essa Palavra pode fazer parte daqueles que ajudarão a renovação da Igreja e saberão responder às perguntas pessoais com uma escolha justa. A Palavra de Deus é simples e busca como companheiro um coração que escute (...). Nem o clero nem o Direito eclesial podem substituir a interioridade do ser humano. Todas as regras externas, as leis, os dogmas nos foram dados para esclarecer a voz interior e para o discernimento dos espíritos.

Para quem são os sacramentos? Estes são o terceiro instrumento de cura. Os sacramentos não são uma ferramenta para a disciplina, mas sim uma ajuda para as pessoas nos momentos do caminho e nas fraquezas da vida. Levamos os sacramentos às pessoas que precisam de uma nova força? Eu penso em todos os divorciados e nos casais em segunda união, nas famílias ampliadas. Eles precisam de uma proteção especial. A Igreja sustenta a indissolubilidade do matrimônio. É uma graça quando um casamento e uma família conseguem isso (...).

A atitude que temos com relação às famílias ampliadas irá determinar a aproximação à Igreja da geração dos filhos. Uma mulher foi abandonada pelo marido e encontra um novo companheiro que cuida dela e dos seus três filhos. O segundo amor prospera. Se essa família for discriminada, não só a mãe é cortada fora, mas também os seus filhos. Se os pais se sentem fora da Igreja, ou não sentem o seu apoio, a Igreja perderá a geração futura. Antes da Comunhão, nós rezamos: "Senhor, eu não sou digno...". Nós sabemos que não somos dignos (...). O amor é graça. O amor é um dom. A questão sobre se os divorciados podem comungar deve ser invertida. Como a Igreja pode ajudar com a força dos sacramentos aqueles que têm situações familiares complexas?

O que o senhor faz pessoalmente?

A Igreja ficou 200 anos para trás. Como é possível que ela não se sacuda? Temos medo? Medo ao invés de coragem? No entanto, a fé é o fundamento da Igreja. A fé, a confiança, a coragem. Eu sou velho e doente e dependo da ajuda dos outros. As pessoas boas ao meu redor me fazem sentir o amor. Esse amor é mais forte do que o sentimento de desconfiança que às vezes eu percebo com relação à Igreja na Europa. Só o amor vence o cansaço. Deus é Amor. Eu ainda tenho uma pergunta para você: o que você pode fazer pela Igreja?
A entrevista é de Georg Sporschill e Federica Radice Fossati Confalonieri

domingo, 2 de setembro de 2012

Pronunciamiento de las organizaciones indígenas del Amazonas sobre masacre Yanomami

Pronunciamiento de las organizaciones indígenas del Amazonas sobre masacre Yanomami

 by Grupo Hannah Arendt - Brasil
En el día de 27 de Agosto de 2012, nosotros, pueblos y comunidades indígenas de la Amazonía venezolana, agrupados en la Coordinación de Organizaciones Indígenas de Amazonas (COIAM), representados por la Organización Regional de Pueblos Indígenas de Amazonas (ORPIA), la Organización Indígena Piaroa Unidos del Sipapo (OIPUS), la Organización Ye´kuana del Alto Ventuari (KUYUNU), la Organización Indígena Jivi Kalievirrinae (OPIJKA), la Organización Yanomami (HORONAMI), la Organización Mujeres Indígenas de Amazonas (OMIDA), la Organización de Comunidades indígenas Huôttuja del Sector Parhuaza (OCIUSPA), la Asociación de Maestros Piaroa (Madoya Huarijja), La Organización Piaroa del Cataniapo “Reyö Aje”, la Organización Indígena de Río Negro (UCIABYRN), la Organización Piaroa de Manapiare, la Organización Ye´kuana del Alto Orinoco (KUYUJANI Originario), el Movimiento Político Pueblo Unido Multiétnico de Amazonas (PUAMA), reunidos en Puerto Ayacucho, queremos realizar el siguiente pronunciamiento sobre la NUEVA MASACRE DE INDÍGENAS YANOMAMI ocurrida en la comunidad IROTATHERI, Municipio Alto Orinoco, cometida por mineros ilegales provenientes de Brasil y cuya información fue suministrada por sobrevivientes y testigos durante el mes de agosto de 2012:
1.- Nos solidarizamos con el pueblo Yanomami en Venezuela y su organización HORONAMI, quien ha sido víctima en el mes de julio 2012, de una NUEVA MASACRE OCURRIDA EN LA COMUNIDAD IROTATHERI, ubicada en las cabeceras del río Ocamo, Municipio Alto Orinoco y área de influencia de varias comunidades Yanomami como son MOMOI, HOKOMAWE, USHISHIWE y TORAPIWEI, las cuales vienen siendo agredidas e invadidas por mineros ilegales provenientes de Brasil (GARIMPEIROS) desde hace más de 04 años.
2.- Lamentamos profundamente este nuevo ataque violento contra el pueblo Yanomami, en el cual habría muerto un número indeterminado de personas, con 03 sobrevivientes en una comunidad (shapono) de aproximadamente 80 indígenas Yanomami en el Alto Ocamo, la cual fue quemada y agredida con armas de fuego y explosivos según testimonios de los sobrevivientes y testigos que se trasladaron a la comunidad de Parima “B” entre el 15 y el 20 de agosto de 2012, donde trasmitieron el trágico testimonio a miembros de la organización HORONAMI y autoridades venezolanas de la 52 Brigada del Ejército y el Centro Amazónico de Investigación y Control de Enfermedades Tropicales (CAICET).
3.- Expresamos nuestra preocupación debido a que desde el año 2009, se viene informado a varios órganos del Estado venezolano sobre la presencia de GARIMPEIROS en el Alto Ocamo y sobre diversas agresiones contra las comunidades de MOMOI y HOKOMAWE quienes fueron víctimas de violencia física, amenazas, uso de mujeres y contaminación del agua por mercurio con saldo de varios Yanomami muertos y sin haber TOMADO MEDIDAS EFECTIVAS PARA DESALOJAR A LOS GARIMPEIROS DE LA ZONA y diseñar un plan de control y vigilancia sobre su entrada cíclica en la zona, en momentos en que hay reportes del aumento de la actividad minera ilegal en toda la Amazonía brasileña.
4.- Esta situación no sólo afecta los derechos a la VIDA, LA INTEGRIDAD FÍSICA y LA SALUD DEL PUEBLO YANOMAMI, sino que constituye un nuevo genocidio y una nueva amenaza a la sobrevivencia física y cultural de los Yanomami, en un momento en que se cumplen en el año 2013, veinte (20) años de la Masacre de HAXIMÚ en la que fueron asesinados 16 mujeres, niños y ancianos.
5.- Solicitamos al Gobierno Nacional y a los demás órganos del Estado venezolano la realización de una INVESTIGACIÓN JUDICIAL URGENTE, el TRASLADO INMEDIATO HASTA EL LUGAR DE LOS HECHOS y LA ADOPCIÓN DE MEDIDAS BILATERALES CON BRASIL para controlar y vigilar la entrada de garimpeiros en el ALTO OCAMO, lugar de la masacre  y con presencia de Yanomami amenazados por la acción incontrolada de mineros ilegales (garimpeiros). Recordamos que la omisión de investigar y tomar medidas eficaces como en el caso de HAXIMÚ, podría comprometer la responsabilidad internacional del Estado venezolano, por permitir que agentes externos agredan a nacionales venezolanos en su territorio.
Organización Regional de Pueblos Indígenas de Amazonas (ORPIA)
Organización Indígena Piaroa Unidos del Sipapo (OIPUS)
Organización Ye´kuana del Alto Ventuari (KUYUNU)
Organización Indígena Jivi Kalievirrinae (OPIJKA)
Organización Yanomami (HORONAMI)
Organización Mujeres Indígenas de Amazonas (OMIDA)
Organización de Comunidades indígenas Huôttuja del Sector Parhuaza (OCIUSPA)
Asociación de Maestros Piaroa (Madoya Huarijja)
Organización Yekuana del Alto Orinoco (KUYUJANI Originario)
Organización Piaroa del Cataniapo “Reyö Aje”
Organización Indígena de Río Negro (UCIABYRN)
Organización Piaroa de Manapiare,
Organización Yabarana del Parucito (OIYAPAM)
Movimiento Político Pueblo Unido Multiétnico de Amazonas (PUAMA)


José Gregorio Díaz Mirabal
Vice-Coordinador CONIVE

Guillermo Guevara
(Constituyente Indígena 1999)

Organizações indígenas venezuelanas denunciam novo genocídio de Yanomami por garimpeiros brasileiros

Organizações indígenas venezuelanas denunciam novo genocídio de Yanomami por garimpeiros brasileiros

 byGrupo Hannah Arendt - Brasil
O relato está baseado no depoimento de três sobreviventes, que estavam na floresta no momento do ataque dos garimpeiros contra a casa coletiva da comunidade Irotatheri, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O número de mortos ainda é incerto
fonte: Instituto Socio Ambiental
Depois de 20 anos do massacre realizado por garimpeiros brasileiros contra os Yanomami, no caso conhecido como Massacre de Haximú, três sobreviventes relatam nova barbárie ocorrida em julho deste ano em território venezuelano
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiam), que congrega 13 organizações indígenas da Amazônia Venezuelana, divulgou nesta segunda-feira (28), documento baseado no relato de sobreviventes Yanomami, da comunidade Irotatheri, localizada nas cabeceiras do Rio Ocamo, na fronteira do Brasil com a Venezuela. O relato dá conta de que garimpeiros cercaram a casa coletiva e dispararam contra eles, posteriormente ateando fogo à casa. Os sobreviventes estavam na floresta no momento do ataque. O número de mortos ainda é incerto.
O documento faz referências ás frequentes denúncias dos Yanomami, que têm sido feitas desde 2009 aos diversos órgãos do Estado Venezuelano, sobre a crescente invasão garimpeira e o consequente aumento da violência entre os garimpeiros e os índios. Violência física, ameaças e a contaminação da água por uso de mercúrio causando a morte de vários Yanomami são alguns dos exemplos citados.
No Brasil, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) e o ISA vem alertando para o aumento do garimpo ilegal no território Yanomami , impulsionado pela alta do preço do ouro no mercado internacional. Soma-se a isso ainda a insuficiência das ações governamentais para coibir o garimpo, gerando um recrudescimento da violência entre garimpeiros e os Yanomami, que podeira resultar em um novo massacre de Haximu (saiba mais).
As operações de repressão ao garimpo em Terra Indígena Yanomami aumentaram no Brasil nos últimos dois anos. Em julho último, a Operação Xawara teve como foco a prisão de empresários do garimpo e de não garimpeiros, com resultados mais positivos em relação às ações de combate ocorridas até então. No entanto, estas medidas não foram suficientes para impedir a escalada da violência entre o povo Yanomami e os garimpeiros. Para tanto, é necessário continuar combatendo os empresários do garimpo em uma ação de cooperação binacional, que considere a participação dos Yanomami.
O documento da Coiam solicita ao governo da Venezuela que realize uma investigação urgente, além de adotar medidas bilaterais com o Brasil para controlar e vigiar a entrada de garimpeiros no município de Alto Ocamo, local do massacre. As organizações signatárias do documento lembram ainda que a omissão de investigar e tomar medidas eficazes, como no caso de Haximu em 1993, poderia compromenter a responsabilidade internacional do Estado Venezuelano, por permitir que agentes externos agridam os venezuelanos, no caso os Yanomami, em seu próprio território.

30 de Agosto: desaparecimentos forçados ainda são crimes do presente e ocorrem cotidianamente

30 de Agosto: desaparecimentos forçados ainda são crimes do presente e ocorrem cotidianamente

 by Grupo Hannah Arendt - Brasil
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Fonte: Adital
Dia 30 de agosto, é celebrado internacionalmente o Dia das Vítimas de Desaparições Forçadas. A data foi oficializada no ano passado pelas Nações Unidas graças à atuação de organizações que lutam para encontrar pessoas sequestradas forçosamente, como Avós da Praça de Maio, da Argentina, e a Federação Latino-americana de Associações de Familiares de Detidos Desaparecidos (Fedefam).
Para lembrar a data, a Anistia Internacional, organização que atua na luta contra esta e várias problemáticas relacionadas à garantia dos direitos humanos, divulgou depoimentos e histórias de famílias de várias partes do mundo que procuram seus entes queridos levados por agentes do Estado ou a mando deles.
Entre elas está o da argentina Victoria Montenegro, que foi sequestrada quando tinha apenas 13 dias de vida. Os pais de Victoria, que era ativistas políticos, foram assassinados em casa, na cidade de Buenos Aires, por um grupo do serviço de inteligência do Exército. Neste mesmo dia ela foi levada e adotada por Hernán Antonio Tetzlaff, que dirigia a ação. Victoria Montenegro se tornou María Sol Tetzlaff Eduartes e só descobriu sua verdadeira identidade 25 anos depois.
Victoria é uma das tantas que foi sequestrada na Argentina quando ainda era um bebê. Para ajudar outras pessoas a descobrirem sua história de vida, surgiu no país a Associação das Mães da Praça de Maio, que já auxiliou 105 homens e mulheres a recuperar sua identidade, e continua atuando para localizar outras centenas.
Histórias como as que ocorreram na Argentina há mais de 35 anos e em outros países da América Latina, sobretudo nas décadas de 1960, 1970 e 1980, continuam a acontecer em várias partes do mundo. A Anistia considera as desaparições forçadas como um crime do presente.
A organização analisa que apesar dos obstáculos foram registrados avanços significativos na investigação e no julgamento das desaparições e de outros abusos contra os direitos humanos cometidos no contexto de regimes militares na AL.
No caso do Brasil, a presidenta Dilma Rousseff criou uma Comissão da Verdade encarregada de investigar as violações de direitos humanos cometidas de 1946 a 1988, o período de ditadura militar. Já no Haiti, após voltar do exílio de 25 anos, o ex-presidente Jean-Claude Duvalier foi alvo de denúncias sobre violações de direitos humanos - entre elas desaparições - apresentadas por vítimas e familiares.
O outro lado da moeda é que, em alguns países, justiça para violações de direitos humanos ainda é uma sonho distante para muitos familiares de vítimas. Suyapa Serrano Cruz, de El Salvador, procura há 30 anos suas irmãs Ernestina e Erlinda, sequestradas em junho de 1982 quando tinham 7 e 3 anos. As meninas foramlevadas por soldados durante operação militar que acontecia nas proximidades.
No caso dos Estados Unidos, o país nem chegou a iniciar investigações sobre os casos de pessoas sequestradas forçosamente sob custódia da CIA no marco da "guerra contra o terror”, iniciada durante o governo de George W. Bush. Neste país também são recorrentes as desaparições de imigrantes da América Central que tentam cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos. Apesar da grande quantidade de denúncias, estes casos também ficam sem investigação.
Na Guatemala, Lucía Cuevas sofre com a falta de respostas sobre o paradeiro de seu irmão, o ativista político Carlos, desaparecido em 1984, e com a falta de justiça no caso de sua cunhada e sobrinho, torturados em assassinados em 1985. Assim como o caso de Carlos, cerca de 200 mil outros foram registrados de 1960 a 1996, período de conflito interno na Guatemala.
Diante da continuidade de crime que lesa os direitos humanos de homens e mulheres em todo o mundo, a Anistia Internacional faz um apelo. "Todos os Estados americanos devem ratificar sem demora a Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra as Desaparições Forçadas, reconhecer a competência do Comitê contra a Desaparição Forçada para receber e examinar as comunicações apresentadas pelas vítimas ou em seu nome, e por outros Estados, e incorporar à legislação nacional o disposto na Convenção”.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A grande transformação do campo religioso brasileiro


CEBI

A grande transformação do campo religioso brasileiro

Terça-feira, 28 de agosto de 2012 - 18h02min
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O Censo 2010, recentemente publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE desenha os contornos que apontam para a grande transformação do campo religioso brasileiro. O mapa religioso que emerge desta publicação, já debatido por pesquisadores e pesquisadoras nas páginas diariamente atualizadas do sítio do Instituto Humanitas Unisinos - IHU, são tema desta edição da IHU On-Line.
O docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião, da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, Faustino Teixeira, comenta que a diminuição da declaração de crença católica vem se acentuando há mais tempo. Para Pierre Sanchis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, é das religiões tradicionais que as pessoas tendem a se afastar.
Já para o professor titular do PPG em Ciências Sociais da Unisinos, José Rogério Lopes, as religiões no Brasil tendem a compor futuramente um campo complexo e difuso de filiações e trânsitos dos fiéis entre elas, com tendências ao acirramento da concorrência religiosa.
O professor titular da Universidade Metodista de São Paulo - Umesp, Leonildo Silveira Campos, por sua vez, acredita que talvez os evangélicos não determinados sejam uma expressão dos "desigrejados" que nos EUA ou Europa são muitos, nestes tempos de individualismo e de formação de um rebanho virtual.
Monica Grin, professora do Departamento de História e da Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ e Michel Gherman, doutorando no Programa de História Social na UFRJ, avaliam que o censo de 2010 revela um crescimento da população judaica no Brasil.
Já o professor sênior do Departamento de Sociologia da USP, José Reginaldo Prandi, acredita que as religiões afro-brasileiras possuem participação na cultura nacional não religiosa.
Frank Usarski, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP, por sua vez, avalia que, baseado nos dados disponíveis, pode-se dizer que em números absolutos, entre 2000 e 2010, houve um crescimento de brasileiros que se declaram budistas.
Para Bernardo Lewgoy, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o espiritismo é invocado como recurso terapêutico em situações de crise pessoal, como doenças, separações, perdas, desemprego, etc.
Renata Menezes, por sua vez, analisa que o censo é uma fotografia da autodeclaração religiosa em determinado contexto. Por fim, a professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Cecilia Loreto Mariz, frisa que, além de Rondônia, que já se destacou no último censo como o estado mais pentecostal, o Amapá, Pará e Acre têm mais de 20% da população pentecostal.

Igualmente compõem esta edição uma entrevista especial realizada com o professor Ronaldo Henn, que afirma que as redes de relacionamento podem constituir os acontecimentos. Nesta semana recordamos de maneira especial a obra de Robert Kurz, recentemente falecido.
O Grupo de Estudos de Crítica ao Valor-Cisão, estabelecido no Laboratório de Geografia Urbana (Labur), do Departamento de Geografia da FFLCH/USP e Ricardo Antunes, professor da Unicamp, discorrem analiticamente sobre a contribuição de Kurz para a crítica da economia política.

Palestina e Israel: caminhos para uma paz justa é o tema da entrevista com Nancy Cardoso Pereira, filósofa, teóloga, pastora da Igreja Metodista. Ela, juntamente, com Eduardo Minossi de Oliveira, graduado em Gegrafia pela UFRGS e Érico Teixeira de Loyola, graduado em Direito pela UFRGS, abordarão o tema na próxima quinta-feira, no IHU, às 17h30min.
O Instituto Humanitas Unisinos - IHU agradece, de maneira particular, ao Prof. Dr. Faustino Teixeira que inspirou e nos assessorou na construção desta edição da revista IHU On-Line. Clique aqui para saber mais.
Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

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As lutas comunitárias retratadas em filme sobre Casaldáliga


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As lutas comunitárias retratadas em filme sobre Casaldáliga

Terça-feira, 28 de agosto de 2012 - 17h56min
Começaram no mês passado as gravações do filme que tratará da vida e obra de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia. Conhecido como o bispo dos pobres e dos sem-terras, Dom Casaldáliga nasceu em 1928, foi ordenado sacerdote em 31de maio de 1952, quando uniu-se aos claretianos. Em junho de 1968, mudou-se como missionário para o estado do Mato Grosso e em 23 de outubro de 1971 foi ordenado bispo de São Félix do Araguaia.
Assista ao início das gravações clicando aqui.
A reportagem que segue é do programa RNA Notícias, da Rede Norte Araguaia

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

“Uma vergonha”, diz Dom Erwin sobre decisão do STF de soltar acusado da morte de irmã Dorothy


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“Uma vergonha”, diz Dom Erwin sobre decisão do STF de soltar acusado da morte de irmã Dorothy

Quinta-feira, 23 de agosto de 2012 - 11h44min
O ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu o pedido de habeas corpus, determinando a expedição de alvará de soltura para Regivaldo Pereira Galvão, condenado pelo Tribunal do Júri de Belém (PA) a 30 anos de reclusão pelo homicídio que vitimou a missionária Dorothy Stang. "Recebo essa informação com espanto", declarou o bispo da prelazia do Xingu (PA), dom Erwin Kräutler.
"Não posso admitir que seja esta a Justiça de nosso país. Que Deus tenha pena de todos nós", afirma o bispo, que avalia que a decisão do STF desconsidera o que foi determinado pelo Tribunal de Júri do Pará. "Esta notícia envergonha a todos".

Com a decisão do STF, o juiz de Altamira (PA) Raimundo Moisés Flexa, expediu o alvará de soltura. Regivaldo foi solto na tarde desta quarta-feira. Está marcado, para o próximo dia 3, o depoimento do policial federal Fernando Luiz Raiol, que recentemente protocolou documento em cartório, revelando fatos sobre o assassinato da missionária que poderão ensejar a reabertura do caso.
A informação é publicada pelo Boletim da CNBB

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Condenado pela morte de Dorothy é solto no Pará


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Condenado pela morte de Dorothy é solto no Pará

Quinta-feira, 23 de agosto de 2012 - 11h42min
Acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005, Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, foi solto na tarde de ontem no Pará, por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, concedeu na última segunda uma decisão liminar (provisória) favorável à soltura, em resposta a um pedido de habeas corpus.
Segundo seu advogado, Jânio Siqueira, Galvão estava "abatido" e foi direto para sua casa, que fica em Altamira (a 900 km de Belém). Galvão foi condenado, em maio de 2010, a 30 anos de prisão em regime inicialmente fechado. Há um recurso da defesa, ainda em tramitação, tentando anular a condenação.

O ministro do STF entendeu que Galvão só pode ser preso quando o processo contra ele transitar em julgado (não couber mais recursos). Ainda de acordo com o ministro, não há provas de que, em liberdade, ele ofereça risco ao andamento do processo. O advogado de Galvão já havia pedido a liberdade ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), sem sucesso.

A missionária Dorothy Stang foi morta em fevereiro de 2005 na região de Anapu (a 766 km de Belém). O motivo, segundo a Promotoria, foi a disputa por terras com fazendeiros da região.


OUTROS ACUSADOS
Com a decisão do Supremo, Galvão será o segundo dos cinco condenados pela morte da missionária a ser colocado em liberdade. O outro que está livre, Clodoaldo Batista -acusado de coautoria no crime-, está foragido desde fevereiro do ano passado.

Além de Galvão, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, também foi condenado sob a acusação de ser o outro mandante do assassinato. Amair Feijoli da Cunha foi acusado de ser intermediário. Já Rayfran das Neves Sales, de ser o autor do crime.
A reportagem é de Aguirre Talento e foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo.

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Acompanhando nosso caminhar teológico latino-americano


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Acompanhando nosso caminhar teológico latino-americano

Terça-feira, 21 de agosto de 2012 - 13h19min
O Congresso Americano de Teologia "será um espaço para renovar a força do pequeno e do frágil e a capacidade de transformação da palavra de Deus com a boa nova de libertação que encerra", escreve Consuelo Vélez, teóloga colombiana, comentando a realização deste evento nos dias 7 a 11 de outubro, na Unisinos, São Leopoldo, RS.
Segundo ela, "será um congresso no qual a esperança se avivará e o amor estará presente porque, por trás da reflexão teológica, está a vida e o compromisso de muitas pessoas que chegaram até o martírio por defenderem os mais pobres e por comprometerem sua vida com a defesa de seus mais elementares direitos"
Eis o artigo.
Pouco a pouco nosso continente latino-americano tem ido se posicionando como um interlocutor válido frente aos países do primeiro mundo e tem fortalecido sua identidade cultural e religiosa, deixando de se sentir receptor de tudo o que venha de fora, para oferecer suas próprias riquezas. No campo teológico, isso tem sido claro na chamada teologia latino-americana que, partindo do método ver-julgar-agir, produziu uma teologia capaz de assumir a realidade da pobreza e da exclusão que tem marcado tanto a vida do continente e tem ido além, assumindo os novos desafios que se percebem, tais como a questão ecológica, a questão indígena, a realidade da mulher, a realidade afro-americana, o pluralismo cultural e religioso, etc. Vale a pena recordar a valoração que a 5ª Conferência do Episcopado latino-americano e caribenho deu a tal método pastoral, afirmando ele "que tem colaborado para viver mais intensamente nossa vocação e missão na Igreja, que tem enriquecido o trabalho teológico e pastoral e que, em geral, tem motivado a assumir nossas responsabilidades ante as situações concretas de nosso continente" (DA 19).
É por isso que a celebração, em outubro, do Congresso Continental de Teologia em São Leopoldo, é motivo de gozo e esperança. Com este congresso procura-se comemorar os 50 anos da inauguração do Vaticano II e os 40 anos da publicação do livro Teologia da Libertação. Perspectivas, de Gustavo Gutierrez. Ambos os acontecimentos permitem entender o surgimento e o desenvolvimento da reflexão teológica latino-americana, resultado de um sincero compromisso com a colocação em prática do Vaticano II no continente.
Como preparação ao congresso, foram realizadas, durante 2011, quatro Jornadas teológicas regionais que reuniram os diversos países: na Guatemala (América Central e Caribe), no Chile (Cone Sul e Brasil), no México (Estados Unidos e México) e em Bogotá (países andinos). A partir desses encontros, a iniciativa do congresso pretende ser a de um congresso prospectivo "que mobilize a comunidade teológica para enfrentar os desafios que a emergência do novo paradigma civilizatório, as profundas mudanças culturais, os diversos movimentos sociais e as inovações científicas levantam para a teologia, como serviço às igrejas e à humanidade num mundo globalizado e excludente" (cf. Carta Convocatória do congresso).
Será um congresso católico, com abertura ecumênica, dirigido a teólogos e teólogas de caráter popular, pastoral e acadêmico, e a todos aqueles que se sentem comprometidos com o caminhar social e eclesial. Sua metodologia incluirá conferências, oficinas de participação temática, painéis abertos e cinefóruns. Temas como economia, novos movimentos sociais, sujeitos emergentes, espiritualidade, opção pelos pobres, método teológico, novos paradigmas, migrações, direitos humanos, questões de gênero, entre muitos outros, serão analisados e refletidos a partir da fé, para se avançar num discurso teológico significativo e atual para a realidade que nos desafia.
Assistirão a este congresso muitos teólogos e teólogas da primeira hora, como também muitos outros/as das novas gerações. Em todos existe essa fé inquebrantável no evangelho de Jesus, esse evangelho lido a partir dos pobres, do sofrimento dos últimos, dos excluídos e marginalizados, a partir dos desafios e questionamentos atuais que urgem crer em "outro mundo possível", organizado, não a partir do poder e do ter, mas a partir do serviço e do compartilhar. Será um espaço para renovar a força do pequeno e do frágil e a capacidade de transformação da palavra de Deus com a boa nova de libertação que encerra. Será um congresso no qual a esperança se avivará e o amor estará presente porque, por trás da reflexão teológica, está a vida e o compromisso de muitas pessoas que chegaram até o martírio por defenderem os mais pobres e por comprometerem sua vida com a defesa de seus mais elementares direitos. Esse congresso continental, que desde já vale a pena acompanhar com oração e disposição de fazê-lo possível, afirma, uma vez mais, o Deus da Vida, esse Deus comprometido com os mais pobres e pequenos, o Deus que nos salva a partir deles e com eles.
Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

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INTEGRA DO MANIFESTO DOS POVOS DO XINGU


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Íntegra do manifesto dos povos do Xingu

Terça-feira, 21 de agosto de 2012 - 13h08min
Manifesto dos Povos do Xingu, reunidas na cerimônia do Kuarup, encaminhado à presidente Dilma Rousseff. Na cerimônia esteve presente Ana Buarque de Hollanda, ministra da Cultura, ocasionando um incidente.
Eis o manifesto.
À Excelentíssima Srª Presidenta da República do Brasil
Dilma Roussef
CC: À Ministra da Cultura
Srª Ana Maria Buarque de Hollanda
CC: Ao Governador do Mato Grosso
Silval da Cunha Barbosa

Nós, as organizações e lideranças indígenas do Xingu, reunidas na cerimônia do Kuarup, em 18 de agosto de 2012, na Aldeia Yawalapíti, Território Indígena do Xingu (TIX), Mato Grosso, vimos manifestar nossa insatisfação diante dos seguintes atos de violação aos direitos indígenas: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 215; o não-cumprimento da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho, na realização de grandes projetos com impactos sobre terras indígenas, como Belo Monte; as modificações realizadas no Código Florestal; as propostas em tramitação para regulamentação das atividades de mineração em terras indígenas e a mais recente e grave Portaria nº 303 da Advocacia-Geral da União.

Sendo assim, os povos indígenas do Xingu reforçam as manifestações de outros movimentos indígenas do Brasil e exigem: a) imediata revogação da Portaria nº 303 da AGU; b) pleno cumprimento da Convenção nº 169 da OIT, com destaque para o direito de consulta livre, prévia e informada dos povos indígenas; c) ação enérgica do Governo Federal para garantir a proteção de Matas Ciliares e Áreas de Preservação Permanente (APPs), tendo em vista a crescente degradação das cabeceiras dos rios que atravessam e alimentam as terras indígenas.

No momento em que o Brasil se prepara para sediar um evento de caráter mundial, as Olimpíadas de 2016, o Governo Federal usa, como estratégia de marketing, a imagem de povos indígenas, especificamente xinguanos, o que contrasta com o crescente e assustador retrocesso de nossos direitos.

É urgente que o Estado brasileiro faça mais do que valorizar as culturas indígenas de forma simbólica. É preciso que, na prática, sejam garantidos a manutenção e o cumprimento dos direitos já conquistados. Esta, sim, seria uma manifestação verdadeira de respeito aos povos indígenas, algo de que o Brasil poderia se orgulhar de mostrar ao mundo.

Assinam as organizações: Associação Terra Indígena Xingu (ATIX); Instituto de Pesquisa Etnoambiental do Xingu (IPEAX); Portal do Xingu; Associação Yawalapíti Awapá (AYA); Associação Tulukai Waurá; Associação Mavutsinim Kamayurá; Associação Indígena Kuikuro do Alto Xinzu (AIKAX); Associação Moygu Comunidade Ikpeng (AMCI); Associação Indígena Kisêdjê (AIK); Associação Uyaipiuku Mehinako; Associação Indígena Yarikayu Yudjá; Centro de Organização Kawaiwetê; Associação Aweti.

E os Povos indígenas do Xingu: Yawalapíti, Trumai, Ikpeng, Waurá, Kamayurá, Kuikuro, Kalapalo, Nahukwá, Matipu, Aweti, Mehinako, Yudjá, Kisêdjê, Kawaiwetê, Naruvutu, Tapayuna.
Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

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Para Casaldáliga filme não deve ser pessoal, mas retratar as verdadeiras causas da luta


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Para Casaldáliga filme não deve ser pessoal, mas retratar as verdadeiras causas da luta

Segunda-feira, 20 de agosto de 2012 - 13h14min
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A vida de Pedro Casaldáliga, o bispo espanhol reconhecido como um dos grandes expoentes da Teologia da Libertação latino-americana e radicado, desde 1968, no distante São Félix do Araguaia (Brasil), está sendo filmada numa coprodução brasileira-espanhola para a televisão.
"Nesta terra é fácil nascer e morrer, o difícil é viver", disse Casaldáliga, da região que há 44 anos adotou, quando chegou a São Félix (no Estado de Mato Grosso, na Amazônia) e encontrou-se com um mundo de tensões sociais, onde grandes latifundiários se empunhavam sobre os pobres, camponeses e indígenas.

Hoje, com 84 anos e ainda radicado em São Félix, continua empenhado em sua luta. "Nós nos conformamos com este sistema que faz da humanidade um negócio", declarou à agência AFP, com a voz fragilizada pelo Parkinson, mas com uma lucidez intacta.

Casaldáliga também continua defendendo uma Igreja comprometida com o povo. "Hoje, mais do que nunca, a Igreja teria que ser a voz da esperança", disse, e defendeu que "o Vaticano não seja Estado, o Papa não seja chefe de Estado, que reconheça os direitos da mulher, que não seja uma Igreja de poder e sim de serviço", disse.

Este padre catalão, que nunca voltou para a Espanha, enfrentou os latifundiários, o governo e até o Vaticano em sua denúncia ao latifúndio e defesa dos camponeses, indígenas e por uma Igreja mais comprometida. Viveu ameaçado de morte por pistoleiros, e foi fundador da Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista, marcos na luta pela reforma agrária e pelos direitos dos indígenas.

"A [vida] de Casaldáliga é uma história de luta e conquista da terra, no Brasil, e a de compromisso de um homem que diante de uma situação extrema, deu uma resposta extrema, entregando sua vida para resolver essa situação. É uma história universal e isso é o que dá força ao filme", conta à agência AFP, Francesc Escribano, escritor e jornalista catalão, autor do livro "Descalço na terra roxa", que dá título ao filme, do qual também é produtor.

Uma equipe de 100 pessoas chegou a São Félix do Araguaia para as filmagens, até início de setembro. A cidade, distante 24 horas de ônibus de Brasília, hoje possui cerca de 10.000 habitantes e carece de estradas asfaltadas.

Para o filme, foram reconstruídos cenários que procuram voltar a como era 40 anos atrás: uma terra em processo de colonização, com prostíbulos e pistoleiros, explica Escribano.

O autor catalão, Eduard Fernández, interpreta Casaldáliga na que será uma minissérie de dois capítulos, com um orçamento de 3,5 milhões de euros, contando com o roteirista do premiado filme "Central do Brasil", Marcos Bernstein, em que participam a Televisión Espanhola, a catalã TV3 e a TV Brasil.

Em 1988, Casaldáliga foi chamado a Roma e submetido a um duro interrogatório pelo então cardeal Joseph Ratzinger. Interpretado como um empuxo entre dois pesos pesados da Igreja, esse diálogo é o ponto de partida do filme. Em 1985, o bispo catalão viajou a Nicarágua para apoiar a greve de fome do chanceler e sacerdote Miguel d'Escotto, e para Cuba a convite do então presidente Fidel Castro. Dele, o teólogo brasileiro frei Betto, um símbolo da esquerda católica latino-americana, afirmou: "Há no Brasil um santo e herói, Pedro Casaldáliga. Santo por sua fidelidade radical ao Evangelho, herói pelos riscos de vida enfrentados e as adversidades sofridas".

"Não façam um filme sobre mim, que seja um filme sobre as verdadeiras causas desta luta: a vida, a liberdade e a dignidade", pediu Casaldáliga ao seu amigo Escribano, quando soube que produziria o filme.
A reportagem é publicada pelo sítio Religión Digital

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Mães da Igreja!


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Mães da redenção

Segunda-feira, 16 de julho de 2012 - 9h24min
Qual é a diferença entre Proba, a Poetisa, e Proba, a Viúva? Será que Santa Helena realmente encontrou a Verdadeira Cruz? Qual foi a oração de Santa Mônica por Agostinho? Essas e outras questões são abordadas em um novo e fascinante livro chamado Mothers of the Church [Mães da Igreja] (Ed. Our Sunday Visitor), de Mike Aquilina e Christopher Bailey. Todos nós já ouvimos falar dos Padres da Igreja, e agora vamos ouvir falar das Mães da Igreja.

Embora o catolicismo seja acusado nestes dias de discriminação contra as mulheres por não ordená-las sacerdotisas e por fazê-las pagar por sua própria contracepção (o controverso mandato do Departamento de Saúde e Serviço Social dos EUA - HHS), o fato é que a Igreja praticamente inventou a ideia de igualdade entre os sexos com o famoso dito de São Paulo de que em Cristo "não há homem nem mulher" (Gálatas 3, 28).

Romanos do primeiro século zombavam dos cristãos por falarem e ouvirem as fracas mulheres, mas a visão cristã do mundo prevaleceu. Para conhecer a história interna desse instigante livro, o sítio Fathers for Good contatou o autor Mike Aquilina.


Eis a entrevista.

Você escreveu um livro sobre os Padres da Igreja, e agora sobre as Mães. Existe alguma substância real nas vidas das cristãs primitivas?

As vidas das mulheres cristãs são mais substanciais do que a minha vida jamais será. E elas provavelmente foram tão responsáveis quanto quaisquer homens pelo rápido crescimento da Igreja ao longo dos primeiros três séculos. A sua história não foi contada porque elas tenderam a trabalhar de formas que foram ignoradas pelos relatos históricos-padrão. Elas não foram guerreiras ou pregadoras ou legisladoras. Mas elas não sentiram necessidade de sê-lo. Elas viveram o cristianismo heroico e prodigioso em seus próprios termos.
É tão perigoso fazer generalizações sobre as primeiras mulheres cristãs quanto fazer generalizações sobre as mulheres cristãs que vivem na minha casa (eu tenho uma esposa e cinco filhas). As mulheres do nosso livro são maravilhosamente muito variadas. Há Tecla, que foi companheira de São Paulo em suas viagens. Há Proba, que foi uma poetisa, e outra mulher chamada Proba, que era uma administradora de negócios. Todos conhecem e amam as santas Mônica e Perpétua, que foram mães. As santas Marcela, Paula e Eustóquia eram estudiosas e contemplativas. As santas Blandina e Felicidade eram servas domésticas, mas nós as conhecemos melhor como mártires. Macrina foi uma guia espiritual e mestra de um (e talvez de dois) dos grandes Padres e Doutores da Igreja [São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste].

Você diz que o cristianismo estimava as mulheres e as libertava. Como assim?
A frase comum aos dramaturgos romanos usada para as filhas do sexo feminino era "odiosa filha". As culturas pagãs tinham pouco respeito pelas mulheres e pelas meninas. Elas eram consideradas um vazamento na economia familiar, já que as meninas exigiam um dote, mas nunca contribuiriam com renda e prestígio para a família. Assim, elas se casavam o mais cedo possível, geralmente aos 11 ou 12 anos, com um homem escolhido pelo seu pai. Elas eram livres para recusar a sua escolha, mas raramente o faziam, já que o pai era livre para condenar à morte uma filha que o desobedecia. E essa possibilidade não era tão improvável. Muitas, se não a maioria, das filhas nascidas em famílias pagãs eram mortas ao nascer. O infanticídio feminino era rotineiro na sociedade greco-romana. Ele era legal e até mesmo elogiado pelos filósofos.
No mundo pagão, o valor de uma mulher vinha da sua relação com um homem - primeiro o seu pai, depois o seu marido, por último pelos seus filhos. Suas obras não significavam nada. De fato, ela tinha pouca oportunidade para realizar obras. O cristianismo virou tudo isso de cabeça para baixo. Na verdade, o cristianismo começa com a Virgem Maria, que tem sido reverenciada acima de todos os outros seres humanos. Os cristãos exaltavam as mulheres como heroínas do seu grande épico, os Atos dos Mártires. E a Igreja promovia a liberdade vocacional das mulheres. De repente, surgiu uma classe de mulheres, as virgens e viúvas consagradas, que se declararam independentes de qualquer coisa que um homem terreno tinha para oferecer. Isso foi revolucionário. Isso fez da Igreja o que ela é. Isso assustou o mundo pagão e selou o seu fim.

Hoje, a Igreja é acusada de travar uma "guerra contra as mulheres", porque se opõe à contracepção. As mulheres da Igreja primitiva demandavam a contracepção?
Não! As mulheres greco-romanas eram oprimidas pela contracepção, oprimidas pelo aborto, oprimidas pelo infanticídio. Essas três práticas vinham como um pacote único. A menos que algo radical mude na nossa sociedade, logo teremos todos os três juntos de novo. A maioria das pessoas não sabe que a contracepção era uma prática comum no mundo antigo, e os métodos eram provavelmente muito eficazes. E os métodos também não eram tão diferentes do que se oferece em nossos supermercados e farmácias. Havia os métodos de barreira e abortivos. Os primeiros escritos cristãos se referem a eles e condenam a todos.
A contracepção, então como agora, mutila as mulheres. Ele faz com que elas sejam menos do que são, de modo que elas possam servir de brinquedos de ninar para os homens. Na Roma antiga, o controle da natalidade era um componente essencial em uma cultura pornográfica que objetivava as mulheres. Também era uma forma lenta de suicídio cultural. Os romanos estavam acostumados a um estilo de vida sem amarras, sem se incomodar com obrigações como filhos ou fidelidade conjugal. Assim, os casais não podiam ser persuadidos nem mesmo coagidos a se reproduzir. Isso desempenhou um papel de destruição demográfica sobre o império, com consequências terríveis para a economia para a segurança interna.
E o que era ruim para o império era pior para as mulheres. Em uma economia ruim ou em uma guerra, as mulheres muitas vezes sofriam primeiro e pior. Lembremo-nos do que uma cultura contraceptiva faziam com as suas mulheres. Lembremo-nos que essas mulheres eram pressionadas a assistir, um após o outro, os seus filhos serem afogados ao nascer. As mulheres queriam sair desse mundo. O cristianismo oferecia a única forma de libertação das mulheres.

Há alguma mensagem especial que podemos extrair desse livro?
Para as mulheres: conheçam essas ancestrais mais antigas na fé. Elas ainda são modelos de feminilidade. Elas ainda são intercessoras. Como irmãs como elas, a irmandade é realmente poderosa. Para os homens: respeitem as mulheres da sua vida. Deixem-nas ser para vocês o que Marcela foi para Jerônimo, o que Mônica foi para Agostinho, o que Macrina foi para Gregório de Nissa. Em Cristo, não há homem nem mulher. Nenhuma dessas mulheres antigas foram sacerdotisas. Elas não precisam ser. Elas foram mães - mesmo aquelas que nunca tiveram filhos em seus próprios corpos. Elas ainda estão sendo nossas mães hoje.
A reportagem é do sítio Fathers for Good. A tradução é de Moisés Sbardelotto

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Surge na Internet rede cristã de relacionamento


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Surge na Internet rede cristã de relacionamento

Terça-feira, 21 de agosto de 2012 - 13h21min
Cristãos e pessoas de boa vontade têm à disposição uma nova rede de relacionamento: o Hizby, criada pelo empresário Júnior Gonçalves, 26 anos, com o propósito de estimular valores de respeito e ética, e combater a maldade e a corrupção.
Internautas podem postar, como numa rede social qualquer, mensagens, fotos, textos, vídeos, participar de grupos. Mas o Hizby possibilita, ainda, motivos de oração e testemunhos, além de eventos das igrejas. Ele se propõe a discutir religião na rede social.

Outro detalhe: palavrões, pornografia, marketing, pirâmides, bullying, assédios de quaisquer tipos contra usuários são vedados no Hizby, que tem seus mecanismos de bloqueio para evitar tais ações. A adoção à rede é vetada para pessoas com menos de 13 anos de idade.

O site também abre espaços para as igrejas se cadastrarem e montarem o seu perfil. A sede do Hizby fica em Porto Velho, Rondônia, um dos Estados com maior concentração de evangélicos no Brasil. Com um investimento de 300 mil reais, bancado por um grupo de empreendedores cristãos, o Hizby pretende chegar a 200 mil internautas até o final do ano.
Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)

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nova evangelização


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A nova evangelização e os novos profetas da desgraça - Enzo Bianchi

Terça-feira, 21 de agosto de 2012 - 13h24min
Nas últimas décadas, caíram as ideologias portadoras de uma esperança messiânica intra-humana, fracassou a transmissão da fé cristã pela geração que está desaparecendo às novas gerações que se assomam ao horizonte, tornou-se muito fraco o anúncio do evangelho como boa notícia aqui e hoje.

A reflexão é do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado na revista Jesus, de agosto de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Já está próxima a celebração do Sínodo dos Bispos que irá refletir sobre o tema da evangelização de modo a poder dar indicações à Igreja universal, indicações que depois deverão ser concretizadas, traduzidas e realizadas de modo diferenciados e específico nas diversas áreas culturais do mundo. No entanto, continua sendo verdade que esse tema, quando é anunciado como "nova evangelização", diz respeito sobretudo ao Ocidente europeu e norte-americano, as terras de mais ou menos antiga cristianização, terras em que se viveu um sólida pertencimento às Igrejas cristãs, mas que hoje - depois do fenômeno da secularização e do desencanto religioso - estão contaminadas pelo indiferentismo.

Nas últimas décadas, caíram as ideologias portadoras de uma esperança messiânica intra-humana, fracassou a transmissão da fé cristã pela geração que está desaparecendo às novas gerações que se assomam ao horizonte, tornou-se muito fraco o anúncio do evangelho como boa notícia aqui e hoje.

Eis, portanto, a urgência de repensar as palavras de Jesus, que enviava os seus discípulos em missão no mundo inteiro (cf. Mc 16, 15), até as extremidades da terra (cf. Atos 1, 8), entre todos os povos e até o fim dos tempos (cf. Mt 28, 19-20). Isso na convicção de que o nosso tempo, a contemporaneidade - o único tempo que conhecemos ao viver imersos neles - é sempre um "momento favorável" para o anúncio da boa notícia de Jesus Cristo, o único Filho de Deus e o autêntico homem.

No tempo oportuno ou não oportuno (eúkairos - Ákairos, cf. 2Tm 4, 2), se há em nós uma humanização que ocorre na sinergia entre a graça do Senhor - isto é, o Espírito Santo - e o nosso espírito, então nós devemos testemunhá-lo, anunciá-lo a quem nos pede conta do nosso modo de viver, dessa esperança que nos habita (cf. 1Pd 3, 15), dessa prática do amor que Jesus nos pede para viver cotidianamente.

Então, é inútil procurar estratégias ou táticas de nova evangelização, é pernicioso ter medo da nossa fraqueza devida a uma diminutio numérica, mas não de significado, é mundano esperar em um retorno da cristandade tranquilizante dos tempos passados.

Mas então o que devemos procurar, como devemos nos mover nesse êxodo de uma terra que deixamos para trás para nos dirigir rumo a uma margem que não conhecemos, mas que sabemos que é um horizonte habitado pela potência de Jesus ressuscitado e vivo, à espera do nosso desembarque para iniciar um outro êxodo, para passar de êxodo em êxodo até o reino?

Acredito que, acima de tudo, devemos mudar a nossa atitude para com a humanidade em que estamos imersos e da qual fazemos parte: uma humanidade não mais cristã, mas que devemos ouvir nas suas manifestações mais impressionantes e nos seus gemidos. Como Igreja, devemos nos exercer a uma leitura sábia da história, sem ceder à tentação de assumir posições defensivas, de encastelar-nos em cidadelas que forçosamente contam com o número e com os recintos: é fácil ceder a essa falta de fé no Senhor da história, o Senhor amante dos seres humanos, o Senhor, que "quer que todos os seres humanos sejam salvos" (1Tm 2, 4), e se tornar profetas da desgraça, como advertia João XXIII há 50 anos atrás, no início do Concílio.

Devemos ouvir para aprender, na consciência da autonomia da história e na liberdade da humanidade que, no entanto, continua sendo querida por Deus, composta por pessoas cada uma "criada à imagem de Deus" (cf. Gn 1, 26): esse selo impresso por Deus em cada ser humano, justo ou pecador, nunca poderá falhar. Trata-se também de não alimentar ingenuidade, de não ser desprovido de humanidade, mas capaz de discernir a presença do mal reconhecendo, porém, o caminho de humanização e de autocorreção do qual o ser humano é capaz, como nos recorda Christoph Theobald.

É nesse espaço em que a Igreja encontra o mundo na escuta e no diálogo recíproco que os cristãos munidos de uma fé madura, exercitada, pensada, dizem e vivem o evangelho, acima de tudo como escola de humanidade, caminho de humanização: cristãos que sabem despertar confiança naqueles que encontram, naqueles dos quais se fazem próximos; cristãos que sabem discernir nos outros a fé humana que os habita e aos quais podem doar palavras, atitudes e ações que narram Jesus de Nazaré.

A crise de fé hoje, antes de ser crise de fé em Deus, é uma crise de confiança humana, é a falta de confiança nos outros, na vida, no futuro e, acima de tudo, é fraqueza em acreditar no amor (cf. 1Jo 4, 16). Apenas em um terreno tão humanizado e predisposto, Deus pode então realizar o que só Ele é capaz de operar: doar a fé, isto é, iniciar uma relação com quem ouve a sua palavra, que quem encontra Jesus Cristo, porque "a fé nasce da escuta" (fides ex auditu: Rm 10, 17).

Então, a Igreja encontrará em seu limiar aqueles que desejam e pedem para ser introduzidos em Jesus Cristo, que pedem para se tornar o seu corpo através do batismo e da eucaristia... Assim ocorre a geração em Cristo e na Igreja, assim a evangelização se torna evento de encontro, de relação viva entre Deus e o ser humano: no tecido de relações humanas cotidianas entre cristão testemunha evangelizador e o ser humano de hoje. A evangelização, de fato, sempre depende do testemunho pessoal de quem evangeliza: o evangelho, a boa notícia só acontece no encontro, na relação com uma pessoa.

Os homens e as mulheres de hoje continuam perguntando: "como viver?". Nós não lhes respondemos procurando novos métodos mais refinados, não respondemos com a expectativa de um percurso fácil: tentamos apenas viver a fé e, portanto, despertar confiança, sem ter medo, porque o Senhor está conosco, e quanto mais nos sentimos fracos, mais opera em nós a sua força (2Cor 12, 10).
Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

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sábado, 18 de agosto de 2012

Manifesto de Apoio ao povo Xavante de Marãiwatsédé


Manifesto de Apoio ao povo Xavante de Marãiwatsédé

Terça-feira, 14 de agosto de 2012 - 21h01min
"Aguardamos ávidos a comunicação de que Marãiwatsèdè regressou aos seus verdadeiros donos: o povo A'uwe Uptabi ou Povo Xavante como são mais conhecidos", afirma Manifesto da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCA) sobre  a devolução da Terra Indígena Marãiwatsédé, no nordeste de Mato Grosso aos povos Xavantes.
Eis o manifesto.
O conflito vivido pelo povo Xavante da Terra Indígena de Marãiwatsèdè tornou-se um caso emblemático de violação aos direitos humanos e da truculência praticada pelo Estado e pelos invasores contra os povos indígenas em Mato Grosso e no Brasil.

Essa violação se delonga desde a década de 60 quando o território dos Xavante fora ocupado pela Agropecuária Suiá-Missú (o maior latifúndio do mundo na época). Nesse período os indígenas foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, e por lá permaneceram cerca de 40 anos, posteriormente, a fazenda foi vendida para a petrolífera italiana Agip. Durante a Rio 92 a empresa italiana foi pressionada a devolver aos Xavante seu território de origem. 

De acordo com a Funai em 1992 (quando começaram os estudos para a demarcação da Terra Indígena Marãiwatsèdè a área passou a ser ocupada por invasores). Mesmo sem o amparo do Estado os guerreiros Xavante retornaram ao seu território e vivem atualmente espremidos em apenas 10% da área homologada em 1998 (com 165.241 hectares) de posse permanente e usufruto exclusivo desse povo. Os 90% restante do território, atualmente, está tomado ilegalmente por fazendeiros e invasores, majoritariamente, criadores de gado e produtores de soja que exaurem o ambiente, acuam e ameaçam os indígenas.

Vivendo as margens do seu território e das políticas públicas os indígenas aguardam fazer valer seus direitos. Sucessivos recursos jurídicos foram tomados para que Marãiwatsèdè volte a ser ocupada pelos primeiros habitantes: o povo Xavante. Recentemente, esse direito foi definitivamente reconhecido pela Justiça Federal de Mato Grosso que homologou o plano de desocupação de não índios da região.

Resumidamente, a referida decisão judicial do processo nº 2007.36.00.012519-0, determina que:

- A FUNAI em um prazo de 48 (quarenta e oito) horas (a partir do dia 31/07) forneça a lista dos ocupantes, não-índios, identificados em Marãiwatsèdè, bem como, informe a data de início do processo de desintrusão, cujo prazo não poderá ser inferior a quinze dias à comunicação a ser feita a este juízo;

- Conhecida a data de início da desocupação, oficie-se de imediato, com prazo não inferior a 10 (dez) dias, à Polícia Federal e à Força Nacional de Segurança, para que prestem auxílio total e irrestrito durante todo o processo de execução da desintrusão;

- Mandados de desocupação da área indígena, com prazo de trinta dias, mantendo-se na área de domínio da UNIÃO somente os índios, conforme já decidido por este juízo.

Na luta por justiça ambiental, a Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCA) e o Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso (FDHT) vêm a público manifestar seu irrestrito apoio ao povo Xavante de Marãiwatsèdè, solicitar que os prazos sejam rigorosamente cumpridos, e, sobretudo, que a segurança e a dignidade dos indígenas sejam garantidas durante o processo de desintrusão. Aguardamos ávidos a comunicação de que Marãiwatsèdè, regressou aos seus verdadeiros donos: o povo A'uwe Uptabi ou Povo Xavante como são mais conhecidos.


Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCA) Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso (FDHT-MT)
Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

Lugo foi destituído porque buscava a justiça social


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Lugo foi destituído porque buscava a justiça social

Terça-feira, 14 de agosto de 2012 - 21h05min
O bispo paraguaio Mario Melanio Medina, uma das figuras mais influentes da Igreja católica, disse ontem que a destituição do presidente constitucional, Fernando Lugo, aconteceu porque ele buscava a equidade social no país.
Medina, bispo dos departamentos de Misiones e Ñeembucú, durante sua homilia dominical, afirmou que o ocorrido foi um golpe parlamentar e que tiraram o mandatário de seu cargo por desejar lutar em favor dos pobres. 

Ele acrescentou que os autores do golpe puseram em seu lugar Federico Franco, que não fará nada "porque estará atado com o capitalismo, a estrutura parlamentar e com os que têm o poder econômico".

Destacou que o capitalismo coloca rótulo sobre aqueles que protestam e buscam a igualdade social e os acusam de comunistas, socialistas ou esquerdistas.

Durante a celebração, fez menção ao isolamento internacional do atual governo e expressou que, devido à conjuntura atual, dias difíceis virão, sendo necessário estar preparados. Este governo não é reconhecido pelos países do Mercosul e por muitos outros, em nível mundial, e como agora vivemos na globalização, é importante a cooperação das nações estrangeiras, disse Medina.

Em outra parte de sua manifestação, investiu contra o Congresso, autor do julgamento político de Lugo, e advertiu que o governo de Franco seguirá de tropeço em tropeço porque o Parlamento não responde ao Executivo e atua em favor de seus próprios interesses.

O Paraguai e a América Latina estão entre dois modelos: o que busca a igualdade social e o capitalismo, que somente quer aglutinar fortuna, sendo que a situação dos pobres não o interessa em absolutamente nada, expressou finalmente.
A reportagem é publicada pelo sítio Religión Digital. A tradução é do Cepat.

Politica de alianças


Política de alianças: entre a necessidade e os limites

Terça-feira, 14 de agosto de 2012 - 21h08min
A campanha eleitoral deste ano está nas ruas. Perplexa, a opinião pública assistiu às alianças partidárias feitas para as próximas eleições municipais. A revista IHU On-Line desta semana discute a necessidade e os limites, também necessários, das alianças políticas. Contribuem no debate Luiz Werneck Vianna, Roberto Romano, Renato Janine Ribeiro, Maria Victoria de Mesquita Benevides, Marco Aurélio Nogueira, José Antonio Spinelli e Jairo Nicolau.

Dá para pensar a política eticamente sim ou não?
Para Renato Janine Ribeiro, a questão de os partidos não terem exatamente uma identidade indica o fato de que uma boa parte do eleitorado também não tem
Por: Graziela Wolfart e Patricia Fachin
Antes de analisar a conjuntura política atual, é fundamental que se entenda um pouco das bases teóricas e fundantes de nosso sistema político, partidário e eleitoral. E esta é a contribuição que o filósofo Renato Janine Ribeiro oferece na entrevista que concedeu por telefone à IHU On-Line. Em sua percepção, temos um sistema no Brasil "em que dois partidos estão firmes, correspondem a anseios, desejos, projetos. Esses dois partidos são os líderes da política brasileira, um de cada lado: o PT e o PSDB. Há 18 anos esses dois partidos se alternam no governo federal. São partidos que expressam algo". Ao argumentar sobre a complexidade do conceito de política, Janine Ribeiro aponta que "uma característica atual muito forte da maneira de pensar a política é vê-la de forma indecente. Há um descontentamento ético hoje com a política democrática e talvez esta seja a principal decepção popular com a política, o que nos impõe um grande desafio em nossos dias: dá para pensar a política eticamente sim ou não?". O professor também reflete sobre os rumos de PT e PSDB e sobre a subordinação da política à economia: "vejamos o governo Lula: foi um governo de distribuição de renda, mas não de redistribuição de renda. Não foi um governo que tirou dos ricos para dar aos mais pobres, o que seria inteiramente lícito. Foi um governo que conseguiu, com o aumento do PIB brasileiro, dar uma parte maior do que foi aumentado para os mais pobres. Mas não houve um enfrentamento do capital. Nesse sentido, podemos dizer que até 2002 havia mais partidos e políticos no Brasil enfrentando o capital do que temos hoje".
Professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo, na qual se doutorou após defender mestrado na Sorbonne, Renato Janine Ribeiro tem se dedicado à análise de temas como o caráter teatral da representação política, a ideia de revolução, a democracia, a república e a cultura política brasileira. Entre suas obras destacam-se A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil (São Paulo: Companhia das Letras, 2000) e A universidade e a vida atual - Fellini não via filmes (Rio de Janeiro: Campus, 2003). Renato Janine Ribeiro é desde 2004 diretor de avaliação da Fundação Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior, órgão do Ministério da Educação).

As alianças políticas, absolutamente necessárias, e seus limites
Werneck Vianna defende que as alianças feitas no presidencialismo de coalizão não servem para que uma determinada orientação seja posta em prática, ou um determinado programa se viabilize, mas apenas para garantir maioria parlamentar para o governante
Por: Graziela Wolfart
Na visão do sociólogo Werneck Vianna, a ampla maioria que hoje o chefe do Executivo tem conseguido lograr no Legislativo tem dado estabilidade à política brasileira. "Mas é uma estabilidade que não faculta a aventura, o risco, a descoberta, a inovação. Certas reformas muito necessárias para que o país dê um avanço, um salto, esbarram nessa larguíssima coalizão que atinge várias dimensões, desde a economia e a política até a sociedade. Os ventos cruzados que se estabelecem no interior da coalizão governamental fazem com que haja um comportamento paquidérmico do governo, que é obrigado a respeitar os limites dados por essa amplíssima base governamental, onde todos cabem e onde tudo cabe". Na entrevista que concedeu por telefone para a IHU On-Line Werneck afirma que o sistema partidário brasileiro "não foi feito para que a sociedade encontre formas expressivas de se incluir no mundo da política. Ele está feito para expressar interesses e diferenças regionais; não é um quadro que favoreça a limpeza e a firmeza de identidade. Ele está voltado para uma grande competição eleitoral. Isso certamente não oferece um bom cenário para a democracia política brasileira". E constata: "estamos vivendo um momento em que os efeitos dessa política de presidencialismo de coalizão começam a se tornar cada vez mais complicados".
Luiz Werneck Vianna é professor-pesquisador na PUC-Rio. Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo, é autor de, entre outros, A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil (Rio de Janeiro: Revan, 1997); A judicialização da política e das relações sociais no Brasil (Rio de Janeiro: Revan, 1999); e Democracia e os três poderes no Brasil (Belo Horizonte: UFMG, 2002). Sobre seu pensamento, leia a obra Uma sociologia indignada. Diálogos com Luiz Werneck Vianna, organizada por Rubem Barboza Filho e Fernando Perlatto (Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2012) (mais informações emhttp://bit.ly/IVmpmg).

"Somos absolutistas anacrônicos. Vivemos sempre sob o regime do favor, dos privilégios, da não república"
Para Roberto Romano, alianças importam, em qualquer hipótese, na luta pelo poder. Mas se elas impedem as mudanças propostas no programa partidário, "temos o realismo de fancaria que sequer merece o epíteto de maquiavelismo"
Por: Graziela Wolfart
Segundo a reflexão do professor da Unicamp, Roberto Romano, "nossos partidos políticos seguem o interesse maior dos líderes nacionais e regionais. Eles julgam não ter explicações a dar para a militância de base. Numa reforma política verdadeira, algumas determinações seriam estratégicas, como a proibição de líderes ficarem nas direções por mais de quatro anos, a exigência de consulta primária aos eleitores dos partidos quando das eleições (escolha dos candidatos, alianças, etc.). E nada falamos, por enquanto, das máquinas eleitoreiras, os partidos ditos ‘nanicos'. Eles são propriedade privada de um ou dois políticos e se vendem (na verdade, vendem seu minuto de propaganda gratuita) em troca de cargos, favores, etc.". Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Roberto Romano acrescenta que a "dita burguesia progressista sempre decepcionou as esperanças dos seus aliados: ela sempre optou pelo lucro, pelos golpes de Estado, pela ruptura com a tênue democracia. A lição de 1964 cabe no quadro. No interior do partido ‘revolucionário', pobre de quem se levantasse contra a política ‘realista' de alianças!". Para ele, as "alianças ‘pela governabilidade' assumidas pelo PT (Sarney, Lobão, ACM e agora Maluf) adiaram, sem prazo de recomeço, a luta do petismo pela justiça no Estado e na vida social". E sobre a foto de Lula com Maluf, um símbolo recente da política de alianças em nosso país, Roberto Romano dispara: "Temos nos dois elementos o retrato impiedoso da prática realista". E conclui: "o resultado está na foto: venceram os contrários ao ‘principismo', ou seja, os alérgicos aos valores éticos, programáticos, socialistas, etc.".
 
Roberto Romano cursou doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales - EHESS, na França, e é professor de filosofia na Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. Escreveu, entre outros, os livros Igreja contra Estado. Crítica ao populismo católico (São Paulo: Kairós, 1979),Conservadorismo romântico (2ª ed. São Paulo: Ed. Unesp, 1997) e Moral e ciência. A monstruosidade no século XVIII (São Paulo: Senac Ed., 2002).
Eis a página em que está a entrevista..