APRESENTAÇÃO

Textos e silêncios pretende ser um espaço reflexivo ecumênico, fundamentalmente voltado para a vida concreta das pessoas a partir de textos e livros, mas também do caminhar contemplativo e meditativo, da vivência amorosa e solidária dos que, de alguma forma, partilharam comigo suas vidas, dores, sofrimentos e esperanças. A eles - e a vocês - devo a minha vida, o olhar que desenvolvi de existência e a experiência cristã do encontro com o Cristo servidor que nos salva. A eles sou devedor, minha eterna gratidão.

sábado, 7 de julho de 2012

Profetas desconcertantes


CEBI

Profetas desconcertantes! Raumond Gravel

Sexta-feira, 6 de julho de 2012 - 19h19min
No Prólogo de São João podemos ler que, em relação a Cristo, o Verbo de Deus, "Ele veio para a sua casa, mas os seus não o receberam" (Jo 1,11). Com efeito, eis aqui o drama da Aliança de Deus e os homens; essa aliança é encontro, aceitação, abertura ao outro, transformação, novidade, e essa aliança só pode se expressar através dos profetas, e eles não caem nunca do céu; eles nascem sempre de baixo, na espessura da história humana. É por isso que é difícil reconhecê-los, apreciá-los e escutá-los. As três leituras de hoje nos apresentam profetas: Ezequiel, Paulo e Jesus de Nazaré. Que tipo de profetas eles são eles?
1. O profeta: um ser humano ordinário. Nas três leituras de hoje, nos damos conta rapidamente que os profetas são, antes de tudo, seres humanos bem comuns, com seus limites e fragilidades. Ezequiel, um sacerdote que viveu no tempo de Nabucodonosor e do Exílio de Babilônia (598-587 a.C), é um profeta desconcertante, de genialidade diversa e complexa. Ele é como os israelitas do seu tempo, esmagados pela derrota, desesperados e deportados para a Babilônia. É de joelhos que ele toma consciência de que Deus acompanha seu povo na angústia e que tem necessidade dele para exprimir a sua presença: "Entrou em mim um espírito que me fez ficar de pé. Então eu pude ouvir aquele que falava comigo" (Ez 2,2).
É o mesmo Paulo que escreve a sua segunda carta aos Coríntios: "Eu estava tão preocupado e aflito que até chorava" (2 Co 2,4). Paulo toma consciência de sua pequenez humana perante a grandeza da missão à qual ele se sente chamado: "Para que eu não me inchasse de soberba por causa dessas revelações extraordinárias, foi me dado um espinho na carne (em grego: skolops), um anjo de Satanás para me espancar, a fim de que eu não me encha de soberba" (2 Co 12,7). Será que é um handicap físico, uma doença crônica ou seus adversários missionários eloquentes e autoritários que, com antecedência, ele havia chamado de "servidores de Satanás" (2 Co 11,13-15)? Não sabemos nada sobre isso! Uma coisa é certa: Paulo é muito humano e ele o experimenta na sua carne, (em grego: sarkos), que designa a fragilidade da existência humana.
Jesus de Nazaré não é também um homem comum? De maneira que mesmo a sua família achava que ele era perturbado: "Os parentes de Jesus foram segurá-lo, porque eles mesmos estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco" (Mc 3,21). E no trecho que nós temos hoje o evangelista Marcos, retomando o que as pessoas da sua cidade diziam dele, escreve: "Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?" (Mc 6,3). Dizer que Jesus é o carpinteiro, o filho de Maria, pode querer dizer duas coisas: 1) que seu pai, José, faleceu; se não Marcos haveria escrito que Jesus era o filho do carpinteiro ou, 2) que se trata de uma família de reputação duvidosa, pois, na época, não se dizia nunca que alguém era filho da sua mãe. Uma coisa é certa: Jesus de Nazaré foi um homem completamente comum, de um meio bem comum, de uma cidadezinha escura que fez que o evangelista João dissesse: "Natanael disse: ‘De Nazaré pode sair coisa boa?'" (Jo 1,46).
2. O profeta incomoda. Um profeta leva sempre uma mensagem de esperança. Por outro lado, a sua palavra deve necessariamente incomodar. O profeta é aquele que anuncia as situações de injustiça, que questiona, que interpela e que convida à mudança, à novidade. Frequentemente nós somos reticentes às mudanças; atolamo-nos em velhos hábitos e desculpamos a nossa passividade apoiando-nos em doutrinas e regras que determinamos serem a Verdade. Porém, não há verdades totalmente acabadas, absolutas, imutáveis, inalteráveis, e para que lembremos Deus deve necessariamente passar por mulheres e por homens como nós. Daí a rejeição, a negação e a condenação dos profetas. O teólogo Michel Hubaut escreve: "Se Deus tivesse desejado que o homem pegasse o caminho errado como se diz, ele não teria conseguido fugir disso...". Pois se há uma constatação na história da revelação judeu-cristã, ela é exatamente essa propensão do homem a querer encontrar Deus nas manifestações extraordinárias, milagrosas e grandiosas. E, ainda, na linha da história, percebemos que Deus prefere as teofanias do quotidiano mais do que as teofanias do grande espetáculo". E, como prova, seu Filho nasceu como todo mundo: uma criança; ele se tornou carpinteiro como seu pai e ele foi crucificado como um vulgar bandido. Hubaut acrescenta: "Não podemos dizer que esse Messias veio lisonjear a espera das multidões".
Contudo, todos os profetas sabem: a Palavra, a Boa nova que eles têm a anunciar será automaticamente mal recebida. A novidade perturba, incomoda. Ela impede de ficar na monotonia. A novidade suscita perplexidade, rejeição. O profeta Ezequiel experimentou-a: "Criatura humana, vou mandar você a Israel, a esse povo rebelde, que se rebelou contra mim. Eles e seus antepassados se revoltaram contra mim até o dia de hoje. Os filhos são arrogantes e têm coração de pedra" (Ez 2,3-4). São Paulo o expressa também desta maneira: "E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Co 12,10). E o evangelho de Marcos faz dizer a Jesus este célebre ditado: "Um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família" (Mc 6,4), pois é preciso reconhecê-lo, alguns dias a humanidade de Deus nos choca. Preferiríamos um Deus autoritário, todo-poderoso, que impõe as suas recompensas e os seus castigos... Felizmente, esse Deus não existe!
3. Um verdadeiro profeta. Como discernir o verdadeiro do falso profeta? Temos de ser prudentes e atentos aos sinais dos tempos. Infelizmente, na Igreja atual, alguns acham que são verdadeiros profetas pela sua intransigência, pela sua severidade e pelo que eles falam. Mas, atenção! O fato de ser criticado, rejeitado ou ainda de deixar indiferentes às pessoas que me rodeiam, não fazem de mim automaticamente um profeta. A Palavra que eu levo deve ser uma Boa Nova, uma Palavra que liberta, que salva e que dá esperança. E é por isso que os verdadeiros profetas não são sempre aqueles que nós pensamos. Eles são dificilmente apoiados pelas instituições, mesmo pela Igreja... Pois a Igreja, ela também não gosta do que incomoda, não gosta de mudança, de novidade, e os profetas são frequentemente suspeitos. O teólogo francês Hyacinthe Vulliez escreve: "Quando queremos nos desfazer de um profeta é habitual tratá-lo de anormal, de atípico e mesmo de estrangeiro, o que permite distanciá-lo e mesmo fazê-lo desaparecer. Não gostamos da pessoa que tem um discurso diferente do convencional. Ele incomoda, ele faz sair da monotonia de sempre, e isso o pessoal não gosta!"
O verdadeiro profeta de hoje deve necessariamente ter a linguagem das mulheres e dos homens de hoje, caso contrário ele deixará indiferentes as pessoas mais vulneráveis da sociedade: os pobres, os pequenos, os desprezados, os feridos da vida. A sua palavra deve denunciar as injustiças que sofrem e lhes permitir de ter esperança. Pode ser que o verdadeiro profeta não seja católico, nem mesmo cristão. A sua pertença a uma confissão particular não tem nenhuma importância. O profeta é aquele que restaura a justiça, que devolve a dignidade aos excluídos e aos feridos da vida e que traz esperança num mundo melhor.
Concluindo, o versículo evangélico que diz: "E Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré..." (Mc 6,5) corre o risco de nos surpreender. Nós temos lá a prova de que um milagre não é um passe de mágica ou um prodígio que vira as leis da natureza; o milagre é um sinal que fala da proximidade daquele que faz com quem vê. O que significa que para que o milagre, o sinal possa se realizar, é preciso uma inter-relação, uma fé, uma confiança entre quem a dá e quem a recebe, se não nem a Palavra nem o sinal poderão produzir seus frutos. Se isso foi verdadeiro no tempo de Jesus, assim também é ainda hoje.
Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

Censo apresenta falhas na classificação das religiões, aponta Altmann


CEBI

Censo apresenta falhas na classificação das religiões, aponta Altmann

Quarta-feira, 4 de julho de 2012 - 18h00min
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O Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acerta no atacado, mas erra no varejo, disse o moderador do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor luterano Walter Altmann, ao analisar os números divulgados sobre a população religiosa do Brasil. Altmann foi um dos debatedores, hoje, do programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, que perguntou se o crescimento dos evangélicos deve-se à conquista de espaços entre a população brasileira ou à diminuição do número de católicos.

O Censo não sabe indicar se luteranos cresceram, ficaram estáveis ou diminuíram sua membresia na última década. O processo censitário considerou três grandes grupos de evangélicos: os de missão, os de origem pentecostal e os não determinados. Dos 42,2 milhões de evangélicos brasileiros, 9,2 milhões são indeterminados, classificação que nem o IBGE consegue definir com precisão. Nesses indeterminados podem aparecer luteranos, metodistas, presbiterianos, evangélicos, protestantes.

O padre Irineu Rabuske disse que os dados agora divulgados pelo IBGE sobre o Censo de 2010 não surpreenderam a Igreja Católica, que desde o primeiro processo censitário brasileiro, realizado em 1872, para os demais vê diminuir o número de fiéis.

Rabuske lembrou que ser católico no século XIX era quase que compulsório, pois a Igreja Católica era quase que a única denominação presente no país. Mas muitos não passavam de católicos nominais, disse. Que tipo de acompanhamento espiritual recebia o fiel de Uruguaiana, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e o Uruguai, que via um padre vindo da capital, montado em lombo de burro, percorrendo uma distância de 700 Km de tempos em tempos? - indagou.

O pastor Eliezer Morais, da Assembleia de Deus, comentou fatores que levam a denominação a registrar um dos maiores índices de crescimento numérico no país. "Proclamamos o que herdamos da Reforma - a salvação somente pela graça, fé e escrituras - não clericalizamos a liturgia, trabalhamos com simplicidade, envolvidos com a realidade do povo brasileiro e fazemos com que os fiéis leiam a Bíblia", disse, em resumo.

Altmann destacou que o Brasil continua um país extremamente religioso e que esses movimentos que o Censo aponta, de crescimento de pentecostais, diminuição de católicos, dá-se entre denominações da cristandade.

O advogado e jornalista Milton Rubens Medran Moreira, do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, afirmou no Polêmica que o espiritismo entra no item das religiões do Censo assim como Pilatos entrou para o Credo Apostólico. Para ele, o espiritismo não é uma religião, mas uma filosofia. Com 3,8 milhões de seguidores, o Brasil é o país mais espírita do mundo, informou.
Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)

sábado, 30 de junho de 2012

Milhares de pessoas apoiam a “resistência pacífica” de Lugo


CEBI

Milhares de pessoas apoiam a “resistência pacífica” de Lugo

Sexta-feira, 29 de junho de 2012 - 10h19min
Aumenta a tensão no Paraguai. Após a destituição do ex-presidente Fernando Lugo pelo Senado na sexta-feira passada, o temido banho de sangue que muitos pressentiam em Assunção não se produziu. Os escassos 5.000 manifestantes que se haviam reunido sob a vigilância de franco-atiradores na Praça do Congresso, voltaram para suas casas. Mas seus seguidores voltaram às ruas e se organizaram sob uma Frente Nacional para a Defesa da Democracia. O ex-bispo Fernando Lugo convocou 10 de seus ex-ministros para ativar uma espécie de Governo paralelo e no dia seguinte anunciou que irá percorrer o país para explicar como foi destituído.
Enquanto isso, em Washington reuniu-se de forma extraordinária e durante quatro horas o Conselho Permanente da Organização de Estados Americanos (OEA) para estudar a possível adoção de medidas. Finalmente, o secretário-geral do organismo, José Miguel Insulza, anunciou que enviará uma missão especial ao Paraguai e outros países da região para avaliar a crise política e informar depois o Conselho Permanente do organismo para que tome medidas. O envio da missão foi proposto pelo representante de Honduras e presidente do Conselho Permanente, Leónidas Rosa Bautista, e obteve o apoio de 25 delegações, entre elas as dos Estados Unidos, Colômbia, México e Chile, mas não conseguiu o apoio da Nicarágua, Bolívia, Equador e Venezuela, que pediam a convocação imediata de uma Assembleia Geral extraordinária.

"Vou me preparar para informar a este Conselho Permanente sobre a situação no Paraguai, e vou também a outros países", disse Insulza, mas não precisou se viajará pessoalmente ou enviará "uma delegação", em uma visita que se dará "provavelmente no final desta semana". O secretário geral expressou sua vontade e se reunir com o presidente destituído, Fernando Lugo, e com parlamentares do país para "tratar de ter uma avaliação do que aconteceu". Insulza recordou que a convocação de uma Assembleia Geral, que poderia decidir inclusive a suspensão do Paraguai da OEA, como aconteceu com Honduras em 2009 após o golpe de Estado contra o presidente Manuel Zelaya, não pode ser feita sem uma missão ao país e um informe ao Conselho Permanente.

Durante a reunião, o representante permanente do Paraguai na OEA, Bernardino Hugo Saguier, defendeu Federico Franco como "legítimo presidente" do país e pediu aos Estados membros do organismo que evitem a "ingerência" nos assuntos internos desse país. O representante da Venezuela não OEA, Roy Chaderton, por sua vez, perguntou durante a sua intervenção à secretaria geral do organismo se a presença de Saguier na sessão "constitui um reconhecimento implícito da legalidade e legitimidade da representação" do Governo de Franco. "Nesse caso, estaríamos diante de um grave fato cuja natureza afetaria as próprias bases éticas normativas, políticas e jurídicas da OEA", indicou.


O fantasma da guerra civil
A resistência dos partidários de Lugo começou na própria sexta-feira em frente à sede da Televisão Pública, na rua Alberdi, depois que um representante do novo Governo se apresentara ali para interromper a emissão. Os responsáveis pelo canal se negaram e o novo Governo cortou a energia elétrica. Logo mais, os trabalhadores da emissora conseguiram restabelecer a energia. Centenas de seguidores de Lugo foram chegando à sede do canal para expressar seu apoio e com um microfone tinham a oportunidade de se dirigirem a todo o país. Agora, cada manhã fica um pequeno núcleo em guarda e pela noite voltam a se reunir cada vez mais pessoas. Na segunda-feira, chegaram a ser 5.000. O novo Governo pretende administrar a situação com mais tato do que demonstrou na sexta-feira para evitar maiores conflitos.

Às organizações estudantis que iniciaram os protestos se juntaram camponeses procedentes de outras regiões. Cada noite tomam a palavra ex-ministros, professores, camponeses, crianças ou donas de casa. Enquanto as principais empresas de comunicação se mostraram favoráveis ao julgamento político que destituiu Lugo em 24 horas, o canal público converteu-se no único meio massivo pelo qual os partidários de Lugo podem se expressar. Além disso, criaram uma página na internet (http://paraguayresiste.com/) para divulgar o calendário de mobilizações.

"A resistência pacífica vai crescendo dia após dia", vaticinou a este jornal Ricardo Canese, secretário geral da Frente Guazú, a organização pela qual Fernando Lugo concorreu às eleições. "Se uniram à Frente pela Defesa da Democracia 15 das 16 organizações camponesas do país. Faremos cortes intermitentes de rodovias, manifestações em praças públicas... E muito particularmente em frente à sede da Televisão Pública, onde houve já várias tentativas de censura. A resistência será permanente até que se restabeleça o Estado de direito", acrescentou.

Os partidários de Federico Franco em Assunção, por sua vez, também começaram a se concentrar na praça do Congresso e convocaram para esta quarta-feira uma manifestação de apoio ao novo presidente. Franco declarou que sua prioridade neste momento é evitar a guerra civil.

A Associação Nacional de Carperos [como os sem-terra são chamados], que ocupou a fazenda Curuguaty onde ocorreu, no dia 15 de junho, a morte de seis policiais e 11 camponeses, começou nesta terça-feira a cortar várias rodovias. "Vamos bloquear os acessos à capital", indicou seu dirigente maior, José Rodríguez, em conversa por telefone. "Os grandes meios de comunicação, que estão nas mãos da oligarquia, não ecoaram as manifestações no interior do país. Mas isto vai crescer. Caso não houver resposta, provavelmente vai se desencadear algo muito forte", acrescentou Rodríguez. "A prioridade de Federico Franco não é evitar a guerra civil, mas manter-se no poder. Este homem sempre teve uma obsessão doentia, até psicótica, para ser presidente. Não lhe importa que haja violência, nem as repressões massivas que podem ocorrer".

Embora os sem terra não integrem nenhuma das duas maiores organizações camponesas do país, nos últimos anos adquiriram muita relevância na mídia mediante as ocupações de fazendas. A oposição culpou Fernando Lugo de tolerá-los e apoiá-los até o momento em que aconteceu a morte de 15 de junho. Contudo, Rodríguez não acredita que os camponeses nem sua organização tenham sido especialmente bem tratados pelo Governo de Lugo. E acredita que essa é a razão pela qual no dia da destituição milhares de camponeses optaram por ficar em suas casas e não ir para Assunção para expressar seus protestos. "Os setores sociais mais carentes não receberam a atenção que esperavam por parte de Lugo. E há descontentamento em relação a ele. Muitas pessoas estão confusas, não querem sair de casa para colocar a sua vida em perigo por um Governo que não os defendeu. As pessoas medem qualquer decisão do Governo através do estômago e este Governo não se preocupou muito com o estômago das pessoas. Mas nós não defendemos Lugo, mas o processo democrático que se iniciou em 2008. À medida que as pessoas vão entendendo isso vão se somando aos protestos".
A reportagem é de Francisco Peregil

CMI declara que RIO + 20 alcançou apenas o mínimo denominador comum


CEBI

CMI declara que Rio+20 alcançou apenas o mínimo denominador comum

Sexta-feira, 29 de junho de 2012 - 10h22min
Os participantes do Conselho Mundial de Iglesias (CMI) na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, patrocinada pelas Nações Unidas, uniram-se a uma ampla coligação religiosa na rejeição do documento oficial do encontro.
"Reconhecidos cientistas ambientalistas dizem que não aconteceu praticamente nada entre 1992 e 2012 quanto à política pública e compromisso mundial" no que diz respeito a mudanças climáticas, observou o teólogo brasileiro Leonardo Boff.

O escritor brasileiro somou-se ao coro de vozes críticas que participaram da Conferência da ONU e o evento paralelo organizado pela sociedade civil, a Cúpula dos Povos.

Boff presidiu, junto com o moderador do Comitê Central do CMI, o pastor brasileiro Walter Altmann, mesa realizada na Cúpula dos Povos sobre "A base ética e teológica da justiça climática".

"Onde quer que vamos, levamos destruição e obrigamos ao resto da espécies a fugir. Lá onde reina nosso pensamento baseado na economia, prevalecem a pobreza, a exploração e a fome", denunciou Boff.

Altmann lamentou a aparente desconexão entre as estratégias das organizações internacionais reveladas no documento final de Rio+20 e os recursos potenciais em nível local, como as comunidades religiosas e outras expressões da sociedade civil.

"Teve mais diálogo com a sociedade civil em 1992", recordou Altmann. Ele enfatizou, analisando a dimensões éticas e espirituais, que as comunidades religiosas têm a vocação específica de responder às crises que o planeta enfrenta.

O painel presidido por Altmann e Boff foi um dos 80 eventos da Cúpula dos Povos agrupados num espaço ecumênico e inter-religioso denominado "Religiões pelos direitos". As atividades realizadas nesse espaço promoveram uma interação entre as múltiplas e variadas religiões do mundo.

O encarregado do programa de Cuidado da Criação e Justiça Climática do CMI, Guillermo Kerber, *CMI, reafirmou a conclusão dos parceiros religiosos, questionando o documento de Rio+20 como um instrumento de mudança eficaz.

"O documento final da Rio+20 não reflete a urgência das ameaças para a vida na Terra que a comunidade científica apresenta", disse. "Também não renova os compromissos anteriores da comunidade internacional, em especial os dos Convênios da Rio 92 com respeito à diversidade biológica, à desertificação e à mudança climática. Não há compromissos novos nem concretos com vistas ao futuro".

Em sua crítica do documento, Kerber revelou que o CMI advogou um preâmbulo baseado em princípios éticos. "Ao ser incapaz de atingir um consenso, a comunidade internacional optou pelo denominador mínimo comum, evitando as questões controvertidas. Com isso, perde a Terra e perdem os pobres e vulneráveis".

Para o CMI, anunciou Kerber, o argumento da crise financeira para justificar compromissos mais concretos da comunidade internacional no cuidado é inaceitável.

Durante a conferência, representantes da Cúpula dos Povos reuniram-se com o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, para informá-lo da frustração dos representantes da sociedade civil com respeito ao documento final de Rio+20.

"A Cúpula dos Povos não aceitou o documento final da Rio+20 como um instrumento de mudança eficaz", informou o diretor executivo da organização ecumênica de serviço Koinonia, Rafael Soares de Oliveira.


Necessidade de teologia pública
O bispo Heinrich Bedford-Strohm, da Igreja Evangélica Luterana da Baviera, Alemanha, foi um dos oradores que seguiu alentando às pessoas de fé para que se dedicassem à luta contra a deterioração do meio ambiente.

Bedfron-Strohm disse que "as religiões chegam às mentes e aos corações das pessoas. Portanto, o que precisamos é uma teologia pública que se desenvolva em linguagem religiosa e laica".

Também assinalou dois elementos que, na sua opinião, são fundamentais para mudar o mundo: inspiração e incentivos. "Não sou tão pessimista", disse o bispo. "As religiões têm muito a oferecer", agregou.

"O que vimos aqui no Rio de Janeiro demonstra que a distância entre a Conferência oficial e a Cúpula dos Povos reflete a necessidade urgente de aumentar a participação da sociedade civil no diálogo mundial", sugeriu o presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastor Nestor Paulo Friedrich.

Uma jovem líder muçulmana, Soher O Sukaria, secretária da Sociedade Árabe Muçulmana de Córdoba, Argentina, e coordenadora da Rede Juvenil de América Latina e o Caribe de Religiões pela Paz, enfatizou a luta comum das religiões na proteção do meio ambiente e no empoderamento dos pobres.
Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)

A Rio + 20 decepcionou as organizações religiosas


CEBI

A Rio+20 decepcionou as organizações religiosas

Sexta-feira, 29 de junho de 2012 - 10h30min
Diversas organizações religiosas disseram estar decepcionadas com a Conferência das Nações para o Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20, que aconteceu entre os dias 20 e 22 de junho, no Rio de Janeiro.
A Aliança Ecumênica de Ação Mundial (EAA), com sede em Genebra, disse que, embora o documento final da conferência - "O futuro que queremos" - reconheça que o acesso à alimentação é um direito humano, ela não chamou suficiente atenção para as mudanças necessárias na agricultura para favorecer os pequenos agricultores em detrimento do agronegócio.
O documento "deixa a porta aberta para a grande intensificação da agricultura industrial, sistema que provou ser ineficaz na erradicação duradoura da fome e quase levou a um colapso dos ecossistemas e das comunidades", disse Peter Prove, diretor executivo da EAA. "Os governos falharam em tomar as medidas necessárias para preservar a saúde do planeta e promover soluções viáveis e sustentáveis para a erradicação da fome crônica," sempre segundo a EAA.
"Onde quer que reina o nosso pensamento baseado na economia, prevalecem a pobreza, a exploração e a fome"
"Nós instamos os governos a apoiar sistemas agrícolas que melhorem a produtividade da terra, a melhorar a capacidade de resistência das comunidades à mudança climática e a contribuir para a erradicação da pobreza e da fome", diz Gisele Henriques, responsável pela alimentação da CIDSE, uma aliança de desenvolvimento católica e membro da EAA.
A EAA é uma aliança de 80 Igrejas e de organizações ligadas às Igrejas, que conta entre seus membros representantes católicos, evangélicos, ortodoxos e protestantes.
Também o Conselho Mundial de Igrejas rejeita o documento oficial final. "Renomados cientistas dizem que praticamente nada foi feito entre 1992 e 2012 em termos de políticas públicas e participação global", observou o brasileiro Leonardo Boff, um dos fundadores da Teologia da Libertação. Ele confessa que "onde quer que estejamos, podemos provocar destruição e forçamos as outras espécies a fugir. Onde quer que reina o nosso pensamento baseado na economia, prevalecem a pobreza, a exploração e a fome".
"A falta de ambição não pode ser justificada"
Enquanto isso, o uruguaio Guillermo Kerber, coordenador das atividades relacionadas com a preocupação com a criação e a justiça climática no Conselho Mundial de Igrejas, reforçou a conclusão dos parceiros religiosos recusando aceitar o resultado da Rio+20 como um "instrumento efetivo de mudança". Ele rejeitou a prudência exibida no documento: "os argumentos usados para justificar a falta de ambição do documento, tais como a crise econômica e financeira, são inaceitáveis do ponto de vista do Conselho Mundial de Igrejas".
A organização, através de seus diversos programas, vai continuar a estar presente nos debates da ONU sobre desenvolvimento sustentável, o ambiente e o clima. Ela também se comprometeu a continuar sua participação no movimento que organizou a Cúpula dos Povos.
A reportagem está publicada do jornal católico francês La Croix, 27-06-2012. A tradução é do Cepat.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

CARTA DAS RELIGIÕES E O CUIDADO DA TERRA


CEBI

Carta das Religiões e o Cuidado da Terra

Quarta-feira, 27 de junho de 2012 - 9h28min
No Espaço da Coalizão Ecumênica e Inter-religiosa "Religiões por Direitos", no âmbito da Cúpula dos Povos na Rio+20 para a Justiça Social e Ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns, os líderes religiosos do Brasil signatários, aderindo à iniciativa da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Interreligioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de Religiões pela Paz, reuniram-se para debater a relação entre as religiões e as questões ambientais. Como resultado do diálogo, concordou-se que a agenda das religiões na atualidade não deve desconsiderar a agenda do cotidiano da vida das pessoas na sociedade e das exigências da justiça ambiental.
A agenda das religiões deve incluir os elementos que traçam os projetos do ser humano na busca de realização da sua existência e afirmar compromissos efetivos com a defesa da vida no planeta. Religiões, sociedade, desenvolvimento sustentável e meio ambiente não são realidades distanciadas, mas estreitamente correlatas. As tradições religiosas contribuem para a afirmação dos valores fundamentais da vida pessoal, sócio-econômica e ambiental, orientando para a convivência pacífica e respeitosa entre os povos, culturas e credos, e destes com toda a criação.
Assim, é fundamental na agenda das tradições religiosas hoje:
a) Apresentar ao mundo o sentido da existência humana. A humanidade vive momentos de pessimismo, com sensação de fracasso e desânimo, sobretudo nas situações e ambientes de crises econômicas, de injustiças, de violência e de guerras.
Comprometemo-nos em fazer com que as nossas tradições religiosas afirmem de modo concreto o valor da vida de cada pessoa, independente da sua condição social, religiosa, cultural, étnica e de gênero, ajudando-as na superação dos problemas que lhes afligem no cotidiano, sejam eles de caráter sócio-econômico-político e cultural, sejam eles de caráter pisíquico-espiritual.
b) Promover a educação e a prática do respeito mútuo, do diálogo, da convivência pacífica e da cooperação entre os diferentes povos, culturas e religiões, fundamental no mundo plural em que vivemos.
Assumimos o compromisso de trabalhar para a convergência dos diferentes paradigmas culturais e religiosos dos povos, como uma possibilidade para melhor entendermos o mundo dentro de suas inter-relações e a convivência entre todos os seres humanos.
c) Explicitar mais e melhor o que já possuímos em comum. Nossas tradições já condividem valores religiosos, como a fé em um Ser Criador, o cultivo da relação com Ele, a compreensão da origem e do fim de cada pessoa.
Comprometemo-nos a partilhar as riquezas que possuímos para fortalecer as relações entre nossas tradições, o enriquecimento e o reconhecimento mútuos, bases para a cooperação inter-religiosa em projetos que promovem o bem comum.
d) Discernir juntos os valores que constroem a paz no mundo. Sabemos que a paz não é simples ausência da guerra, mas é fruto da justiça e da prática do amor.
Comprometemo-nos na promoção da convivência pacífica entre os povos e o desenvolvimento da fraternidade e da solidariedade universal, superando todo fundamentalismo e exclusivismo, bem como o consumismo irresponsável que causam conflitos entre as pessoas e os povos.
e) Viver a compaixão para com os mais necessitados, empobrecidos e excluídos da sociedade.
Assumimos o compromisso de realizar juntos projetos sociais que fortalecem a solidariedade nas comunidades religiosas e na família humana.
f) Promover o valor e o cuidado da criação. Tomamos conhecimento das ameaças à vida do planeta, conseqüências dos interesses econômicos que constroem uma cultura utilitarista e consumista na sociedade em que vivemos.
Comprometemo-nos com o desenvolvimento de uma nova ética na relação com o meio ambiente, capaz de orientar novas atitudes defensoras de todas as formas de vida, sustentadas em políticas públicas de justiça ambiental e numa mística/espiritualidade que explicite a gratuidade e o dom da vida da criação.
g) Afirmar elementos de uma ética comum que, sustentada nas convicções religiosas que possuímos, seja capaz de orientar atitudes e comportamentos de paz e de justiça, tanto dos membros das nossas tradições como de todos os povos.
Comprometemo-nos a desenvolver novos comportamentos, com prevalência da ética da tolerância e da liberdade cultural e religiosa, do respeito às diferenças, da dignidade de toda pessoa, da convivência entre credos e culturas, dos direitos humanos.
Finalmente, solicitamos à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, acolher a contribuição das religiões para o cuidado da vida na terra, reconhecendo que os imperativos morais DAS nossas tradições, convicções e crenças, bem como os nossos esforços de diálogo e cooperação inter-religiosa são imprescindíveis para alcançarmos o desenvolvimento sustentável de toda a humanidade.
Exmo. e Revmo. Dom Francisco Biasin
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso daConferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Rev. Pe. Peter Hughes
Secretário Executivo do Departamento de Justiça e Solidariedade do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM)
Revmo. Dom Francisco de Assis da Silva
Primeiro Vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
Rev. Dr. Walter Altmann
Moderador do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI)
Rev. Nilton Giese
Secretário Geral do Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI)
Rabino Sergio Margulies
Representante da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ)
Sami Armed Isbelle
Diretor do Departamento Educacional e de Divulgação da Sociedade Beneficente Mulçumana do Rio de Janeiro (SBMRJ)
Ialorixá Laura Teixeira
Coordenadora Estadual do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileiras - Rio de Janeiro (INTECAB)
Irmã Jayam Kirpalani
Direitora Européia da Universidade Espiritual Mundial Brahma Kumaris
Elias Szczytnicki
Secretário Geral e Diretor Regional de Religiões pela Paz América Latina e o Caribe
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

PARAGUAI 2




                                                                        Asunción (Paraguay), 25 de junio del 2012
                                                                                                      

Estimados Hermanos y Hermanas

Muchos de ustedes sabrán por Fr. Rafael Colomé o por los medios de comunicación, que en Paraguay estamos pasando momentos de mucho dolor a causa de la violación al proceso democrático iniciado desde hace años y lesionado ahora, de una forma descarada, desde el pasado viernes, 22 de junio del 2012, por parte de lo que consideramos fue un golpe de Estado parlamentario en el que se destituyó al presidente del gobierno, Fernando Lugo. 

 El Senado destituyó a Lugo en un juicio político totalmente rechazado por una ciudadanía a favor de esos cambios sociales que estaban abriendo camino a una vida más digna para todos;  por expertos en derecho y por la comunidad internacional.  Abogados y abogadas del Paraguay confiables por su trayectoria honesta, diligente y democrática calificaron el libelo acusatorio como una`` vergüenza jurídica y espantosa´´, señalando que la mayoría de las expresiones plasmadas en el documento eran subjetivas y sin ninguna lógica. Un ``juició´´ en el que reinó la carencia de la fundamentación de las afirmaciones, hipótesis falsas e insostenibles.  Un juicio en que se dieron pocas horas para preparar la defensa y en el que estaba dictada la sentencia antes de que la misma expusiera sus argumentos. Un juicio impulsado por un parlamento en el que bastantes de sus miembros no tienen ninguna autoridad moral dada su larga trayectoria de corrupción conocida por toda la ciudadanía.       

En nuestro querido Paraguay (y América Latina) está claro que hay un grupo de personas que se empeña en la búsqueda de la igualdad social y otro al que no le interesa absolutamente nada la situación de los pobres, haciendo ``por ellos´´ auténticas pantomimas porque tienen responsabilidad política y social.  La postergación sistemática de una verdadera reforma agraria por parte de las instituciones del gobierno ejercido por sus tres poderes, el acaparamiento de grandes extensiones de tierra en manos de unos pocos, la irregularidad y el fraude impune de miles de hectáreas de tierras mal habidas, blindadas por la justicia y la complicidad del Parlamento, lo ponen de manifiesto.  El enfrentamiento entre policías y campesinos ocurridos en Curuguaty el pasado 15 de junio en el que murieron 17 personas y que fue una de las cinco  acusaciones a Lugo en el juicio político,  nos obliga a preguntarnos seriamente quién puede estar detrás de todo esto con el propósito de generar una inestabilidad que beneficie a sus intereses de poder económico y político.  

Afortunadamente, en medio de esa inaceptable situación ocurrida en Paraguay, tuvimos el apoyo de la comunidad internacional.  Los cancilleres de los 12 países que conforman la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) estuvieron presentes en Asunción y expresaron su total solidaridad para con el pueblo paraguayo y el respaldo al presidente constitucional Fernando Lugo.  También agradecemos el ánimo que muchos de ustedes nos transmitieron a través de los correos recibidos.

En estos momentos y desde hace días un grupo considerable de indignados (no necesariamente luguistas) respira un aire contaminado y que enferma, busca espacios libres y sanos encontrándose en algunas de las plazas y locales (TV pública Py) de nuestra ciudad  en la que nos convocamos para expresar lo que sentimos y establecer mediadas de acción pacífica a fin de conseguir la restitución de nuestras autoridades y el retorno de la vigencia plena del proceso democrático. Cosa nada fácil. Con amigos de nuestras comunidades parroquiales y con algunos alumnos de las distintas facultades de la Universidad Católica en la que trabajamos nos hacemos presentes, participamos y apoyamos el compromiso de tomar en serio la construcción de un Paraguay mejor

Estoy y estamos convencidos que un país justo y fraterno sólo se podrá construir si nos empeñamos sinceramente en reconocer y defender el digno lugar que todos merecemos ocupar como hijos e hijas de Dios en esta bendita tierra paraguaya.

Gracias por todo, recen por nosotros y para que la gente buena siga haciendo el bien.  Que el Dios de la Vida y del Amor nos bendiga a todos.  Una abrazo.  Fr. Ramón Figueras, Promotor de Justicia y Paz.











PARAGUAI 1


Recebi esta mensagem da Coordenação de Justiça e Paz da Ordem Dominicana e gostaria de que todos saibam que a ditadura ainda esta ai a nos rondar...
Asunción ,  24 de junio de 2012

A las Fraternidades Laicales Dominicanas de AL y el Caribe
Queridos amigos y hermanos:
Me dirijo a ustedes para compartir la noticia central que recorre todo el mundo, sobre todo en la Región  AL y el Caribe. El Paraguay, mi querido país, está pasando –de nuevo  - por un brote de  dictadura, esta vez, proveniente del mismo Congreso Nacional, compuesto por dos cámaras: Diputados y Senadores.
En el año 2008, fue  electo  ,  por voto directo del pueblo y en comicios limpios transparentes el ciudadano Fernando Lugo Méndez, obispo católico reducido al estado laical por el Papa Benedicto XVI. Esta elección fue  significativa  .  La dictadura de Stroessner , fue derrocada en el año 1989 pero el Partido que dio sustento a su gobierno , el Partido Colorado , se mantuvo en el poder hasta la elección del  Pte  .Lugo, razón por la cual, el pueblo instaló con su voto la alternancia en el poder , de un partido mañoso , que generó mucho dolor en el pueblo , respaldó a un gobierno  autoritario y con muchos crímenes e injusticias en su haber.
El  Pte . Lugo, tuvo muchas falencias, pero su conciencia de justicia social fue clara y operante. Su honestidad en el manejo de la cosa pública - sin objeciones.
El 21 de junio próximo pasado, la cámara de diputados ejerció de fiscal y  presentó cinco  puntos de denuncia al Presidente de la República ; el Senado ejerció de juez  para destituir al Pte. El acto fue la implementación de un artículo en la C. Nacional de la Rca.. Fijaron bien la modalidad como juicio político y no proceso  penal  . Hicieron un mamotreto de procedimiento con un horario desde presentación del libelo acusatorio  , votación para aceptar el caso, consideración del   libelo , juicio – incluidas  dos horas de defensa y la  sentencia  . El horario asignado  para todo el proceso, menos de 48 horas, incluidas las horas nocturnas (no hábil para trámites de oficina para recabar datos y pruebas documentales).
Arrinconado y solo Lugo, en el Palacio de Gobierno  , como atado de pies y manos, ellos hicieron el show de juicio , maquillado de legalidad. Lugo nombró  tres  abogados defensores que expresaron que ningún juicio serio podía hacerse en tan poco tiempo; que una defensa    medianamente  rigurosa       iba a ser  imposible. De nada sirvió este recurso de defensa con tres abogados de probada solvencia. Ellos ya tenían escrita la sentencia y sólo asignaron el tiempo para validarla con  el voto. ASI FUE DESTITUIDO EL PRESIDENTE  CONSTITUCIONAL DE LA REPUBLICA DEL PARAGUAY.
El día 22 de junio a las 17 horas y minutos( incluidos 2 cuartos intermedios), el proceso estaba terminado: Lugo destituido y el Vicepresidente  constituido en Presidente de la Nación.  Antes de las 20 horas estaba ya ocupando la silla presidencial  en el Palacio de Gobierno.
¡TIEMPO RECORD DE UN JUICIO – AJUSTICIAMIENTO, MEJOR!
Por eso decimos hoy, sufrimos un GOLPE DE ESTADO PARLAMENTARIO!
El pueblo fue traicionado por aquellos que fueron también directamente electos por sus  votos en la  urnas.  
Esta es hoy nuestra realidad; pero  desde los que usurparon el poder, se maquilla con la legalidad de que hay un artículo de la Constitución que nombra la posible aplicación del juicio político. El procedimiento fue arbitrario, con notas de abuso de poder   y falta de respeto al pueblo paraguayo. Puede hasta decirse que fue  legal  ,  pero no legítimo
El tema de mala distribución de la tierra en  Paraguay es un núcleo del complejo problema de inequidad social  que Lugo heredó y es imposible solucionar en menos de 4 años de gobierno
Este fue el punto más álgido del libelo acusatorio, pero casualmente, las intervenciones se hicieron con liderazgo del Poder Judicial,  acompañamiento  fiscal y un juez de la causa. La policía sólo acompaña estos procedimientos. Pero no iban munidos para matar y también murieron en una batalla generada entre los campesinos y la respuesta que dieron desde los efectivos de segunda fila que ingresaron ante la primera muerte generada en sus filas
Asi las cosas, hoy estamos viviendo un momento muy doloroso en la historia nacional , aislado el Paraguay en el Mercosur y Unasur  como espacios de integración regional , siendo un país mediterráneo nos afecta considerablemente. Algunos países están retirando sus legaciones diplomáticas  .
El pueblo está crispado, los jóvenes y los más vulnerables de la sociedad- sobre todo la clase campesina - jóvenes y  estudiantes universitarios, siente este atropello a la democracia  como un retroceso en nuestra incipiente  democracia  , luego de los más de sesenta años de dictadura real , todavía con el gobierno del partido colorado
El Congreso de la Nación,  asi  como el Poder Judicial están totalmente desprestigiados y son objetos de burla, de rechazo y de descontento social expresados en manifestaciones públicas
Este relato les ofrezco como información fidedigna de los acontecimientos recientes   . Les pido su oración por mi país y les agradezco sentidamente a quienes me han enviado  la expresión de su cercanía fraternal
Con todo mi afecto,
Susana  Brittos , op
Laica-Coordinadora AL y el Caribe

domingo, 24 de junho de 2012

TEORIA, PRÁTICA E PRÁXIS


o presente texto será apresentado para discussão e introdução à formação posta anteriormente neste espaço, a iniciar-se no próximo sábado.  um tira-gosto...
O mundo está aí, a todo o momento objetivando-se em sua concretude imperativa. Não nos é possível viver fora desta realidade. Olhar, observar e pensar esta realidade com criticidade e objetividade é a tarefa básica se queremos, com nossa prática, transformarmos o mundo a nossa volta.
Precisamos, portanto, em nossa jornada existencial – maior que nosso agir político – entendermos a relação entre teoria, prática e práxis. Nosso agir cotidiano pode ou não tornar-se, pela reflexão e capacidade de interconectar conhecimentos anteriormente adquiridos, teoria.
Aristóteles, o bom e velho Aristóteles, bem nos ensina no livro Ética para Nicômaco, que nosso agir advêm de hábitos, não refletidos em sua maior parte. Estes hábitos nós os introjetamos pelo processo educativo que se dá nos âmbitos vitais familiares, escolares e sociais. A este processo damos o significativo nome de incorporação – transformar-se em corpo! É assim que o escovar os dentes, que se inicia de forma imperativa, acaba por se tornar uma necessidade corporal decisiva, incorporada e necessária. Ocorre que este processo educativo não se dá normalmente pautado por uma reflexão madura e profunda sobre seus caminhos e passos. Até mesmo nas unidades escolares onde o agir deve ser pautado por um encontro das diversas habilidades, possibilidades e virtudes de seu corpo docente, em suas respectivas disciplinas, a partir de um horizonte reflexivo que é o Projeto Politico Pedagógico (PPP). Normalmente, entretanto, este processo carece, a meu ver, em três dificuldades básicas:
1.    O corpo docente não é selecionado tendo em vista o PPP, para que haja uma coerência coletiva no caminho e na direção para onde devemos caminhar.
2.    As habilidades pessoais, assim como sociais e relacionais, não são devidamente percebidas e, por isso, não são adequadamente exploradas ou incorporadas no processo pedagógico, perdendo-se possibilidades e horizontes, esvaziando-se o agir pedagógico.
3.    O PPP normalmente é o conjunto de frases – chavões, sem qualquer compreensão ou mesmo discussão básica, que se torna um imperativo apenas burocrático. Pior do que isto, ele esconde a incapacidade de olhar atentamente a realidade do aluno concreto que se apresenta a sua frente, com seus dramas e capacidades. Desvelar este mundo concreto – do corpo docente, do corpo administrativo e dos alunos – é apenas o ponto de partida para o trilhar pedagógico que deve apontar para novos horizontes, maiores e mais humanos.

Uma pequena pausa se faz necessária, já que não vamos nos referir aqui ao papel governamental e em suas tarefas inadiáveis, assim como na responsabilidade das famílias no âmbito educacional, já que pensamos no processo pedagógico não apenas na educação formal pública ou privada, mas também em igrejas, ONGs e instituições sociais.
Paremos por um instante. Não siga automaticamente a ler o texto!
1.    Nos nossos processos e dinâmicas pessoais, nos nossos espaços dialógicos e políticos temos ao menos uma ideia das possibilidades humanas envolvidas – inclusive a nossa? O que te faz feliz? O que realmente você gosta de fazer?
2.    Em nossos processos sociais e institucionais temos ou tentamos fazer um PPP que se faça realista e dinâmico, com metas e com revisão permanente?
3.    Formamos uma equipe que acolha a diversidade e a complexidade da vida humana e do seu mundo cultural a dirigir-se, com o apoio mútuo (e não com competição), dentro de um processo estratégico, olhando para o mesmo horizonte?
Falamos de liberdade, de libertação, mas o que isto significa?
Nosso agir se conforma (age com a forma) a realidade capitalista, se nutrindo dos valores desta na busca pelo sucesso, pelo dinheiro, pela estabilidade, pelo status, pelo poder? Somos livres para romper com estas determinações e aceitar suas reais consequências?
A prática pode, portanto, tornar-se teoria, mas esta é sempre, uma teoria interessada, que defende interesses de pessoas e grupos sociais e pessoais.
Teoria pode se confundir com manuais de procedimento ou mesmo um pensamento conceitual, superficial sobre algo. Ledo engano! Teoria é o pensamento sistêmico de uma totalidade, que a percebe organicamente e complexamente. A teoria biológica, portanto, se refere ao conjunto que compreende o funcionamento da estrutura biológica, da vida. A vida da prática, dos hábitos é derivada, portanto, de um olhar sistêmico da vida humana e de seu articular politico e econômico, que lhe dá horizontes e caminhos. Quando agimos sem reflexão apurada estamos, concretamente, a reboque do que os outros pensaram – e seguem a pensar – por nós. E, que, pelo aparato ideológico e midiático, sutil e eficaz, se introjeta, se incorpora em cada um de nós.
Falamos de teoria, falamos de prática, mas há outro termo, mais importante, que é práxis. Práxis é o agir reflexivo, reflexivo que se objetiva num mundo real e que se torna conhecimento amplo e dinâmico (dialético!), que se faz teoria na prática. Onde a prática se faz teoria e a teoria se faz\ prática numa espiral que se humaniza e se radicaliza.
É este o horizonte no qual pretendemos caminhar. Que nossos corpos, mentes, olhares e o coração – numa linguagem teológica que nosso espírito – esteja mergulhado total e amorosamente mergulhado neste caudaloso rio da vida.

Rio + 20 - Mensagem do Arcebispo de Cantuária


Mensagem do Arcebispo de Cantuária sobre a Conferência Rio+20
 


A grande questão que enfrenta a Rio +20: que tipo de mundo nós queremos deixar de legado para nossas crianças? E não é só uma questão de materialidade ambiental que nós queiramos deixar – as respostas para essa questão, de um certo modo, são muito simples: nós queremos um mundo que seja livre de poluição, um mundo onde todo mundo tenha acesso a água tratada, um mundo onde haja segurança alimentar, um mundo onde as pessoas tenham aprendido métodos sustentáveis de agricultura e desenvolvimento.

Mas igualmente importante é uma questão de que tipo de hábitos ou que estilo de vida nós queremos deixar para nossas crianças – que tipo de habilidades nós queremos ver elas desenvolverem para viver sustentavelmente neste mundo.

Isso significa, como em muitas áreas, que nós temos que começar modestamente, começar localmente. Grandes mudanças vem porque pequenas mudanças acontecem. E no trabalho que eu faço, eu tenho o privilégio de ver muitas mudanças pequenas em processo. Ano passado no Quênia, eu pude ver o trabalho feito pela Igreja Anglicana de lá desenvolvendo métodos de agricultura chamado Umoja, métodos que possibilitam que as pessoas saiam da agricultura de subsistência para uma produção real sustentável para eles mesmos, e muita capacitação em informação nutricional para que o desenvolvimento agrícola, segurança alimentar e atendimento à saúde possam andar juntos.

Há muitos outros projetos locais como esse, e eu fiquei profundamente impressionado pelo modo como as pessoas localmente no mundo tem desafiado e resistido algumas das depredações feitas pelas indústrias extrativistas, em muitas áreas uma das grandes ameaças a um futuro sustentável.

Os Governos podem, obviamente, e devem, fazer sua parte nisso tudo. Os Governos precisam oferecer incentivos fiscais para o “desenvolvimento verde”. Eles precisam promover programas que encorajem a todas/os a reduzir nossos desperdício. Eles precisam “tornar verde nossa economia, tanto em casa quanto no mundo todo. E nós, todas/os nós, não “somente as comunidades de fé, precisamos colaborar nisso e apoiar os governos nessa visão.

Mas na raiz, a questão permanece a mesma: que tipo de mundo nós queremos entregar? Imagino que você tenha o aniversário de sua/seu filha/o ou netas/os chegando. Você desejo dar um presente a elas/es. Você gostaria de dar alguma coisa que genuinamente signifique algo para elas/es, que enriqueça suas vidas, que faça parte do seu crescimento e bem-viver. E isso é o que nos desafia aqui. É um desafio que eu penso que vai repercutir em todo mundo, no mundo todo. Simplesmente isso: que presente nós queremos oferecer? O presente de um mundo que seja livre da poluição, um mundo onde o futuro seja mais seguro, um mundo onde mais pessoas tenham acesso a alimentação, água limpa e atendimento à saúde? Sim. Mas também um mundo onde nós possamos transmitir a sabedoria de como habitá-lo, como viver num meio ambiente limitado com graça, liberdade, confiança.

Todas as pessoas religiosas entendem o mundo como um presente de Deus. E todas as pessoas religiosas são portanto comprometidas a perguntar: se este é o presente que nos foi dado, como nós transformamos ele num presente para todas as pessoas, para a próxima geração? Como nós fazemos justiça pelas/os nossas/os filhos/as e netas/os? Como nós fazemos para agir com justiça por elas/es? Estamos oferecendo um presente, tanto material como espiritual, que realmente as/os fará viver bem, viver com felicidade, para que o seu futuro seja seguro e que elas/es também tenham um presente para dar para seus/as filhas/os e netas/os?

Quem és tu?


Pare!
Pare tudo e me diga.
Quem és tu?
Eu e você, você e eu, quem afinal, somos?
Somos a mente? Mente e corpo, diria Descartes.
Um dualismo tosco, perverso, pequeno.
Um corpo a satisfazer-se, opúsculo do prazer.
Uma mente, atônita, mergulhada num corre corre, a perder-se em devaneios. Devaneios exigentes, o Mercado exige! O shopping chama, reclama tua ausência. Uma mente gelatinosa, que se perde na internet, em instantaneidades. Uma mente midiática, culturalmente submissa.
Uma mente fraca, mas arrogante, que se diz materialista, mas imersa e escrava de abstrações, em prazeres fugidios, sem espaço para a vida, para a poesia, para o encontro, para o amor, para Deus.
Em poucas palavras, quem és tu?
E, se puderes acordar deste sono profundo e se deparar consigo mesmo e realizar que não és a mente? Quem, porventura, tu és?
A partir de onde tu te defines?
Eu, insano poeta, aprendiz de teólogo, profeta com causa, que digo que sou?
Uma pessoa que faz poesia em corpos, para produzir saúde – sou acupunturista! Que vende sonhos a mentes, para produzir corpos éticos e presentes.
Uma definição heterodoxa, de um louco, louco cheirador – de pó de livros – perigoso viajante, crítico e alucinado, a peregrinar por aí, num mundo concreto a objetivar-se, uma dialética que é Sua.

sábado, 16 de junho de 2012

Pequenas Sementes - homilia de 17/06


Ezequiel 31, 1-6. 10-14      II Corintios 5, 1-10    Marcos 4, 26-34
Que belos textos! Que belo tecido formam unidos a nosso coração!
No caminhar que nos apontam, há a história do cedro, contada ao faraó do Egito, e hoje também contada a ti, a nós. Grandioso, forte, altivo! Pois bem, o Senhor Iahweh o rejeitou!
Na segunda Carta aos Coríntios temos, já no capítulo 4, que lemos uma parte na semana passada, a noção de que somos vasos de argila, frágeis e passageiros. Estavam os cristãos atribulados por todos os lados, mas não esmagados, postos em estremas dificuldades, mas não vencidos pelos impasses; perseguidos, mas não abandonados, prostrados por terra, mas não aniquilados. Aqui fala mais, que a obra de Deus não é feita pelas mãos humanas. Como diz no final do texto do capítulo 4: Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem: pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é o eterno. Aponta sim para o futuro escatológico, para a nossa ressurreição.
Queremos, entretanto, alargar nossa reflexão.
Há homens cheios de poder, de prepotência, de arrogância. Apoiados pelo poder político, pelo seu dinheiro, pela mídia, pela casa protegida, pelo carro blindado. Todos seguem mortais, frágeis ontologicamente... Há também, aqueles que se acham acima dos mortais, cheios de si, fundados e arraigados numa fé fundamentalista e arrogante, em chavões religiosos vazios, que têm a certeza de sua salvação e de que o único caminho válido é o seu, que saem por aí a julgar a todos a bel prazer. Apenas toleram o diferente, não sabem, de fato, o que é amor, talvez mergulhados num medo que exige certezas fáceis e pouco exigentes.
Temos nos textos de hoje a clara colocação de que o poder não é o vaso onde as coisas de Deus crescem.
No Evangelho de Marcos há a semente lançada pelo homem, que não vê seu crescimento. A ele o trabalho é pequeno: lançar  a semente! |O Reino de deus possui em si mesmo uma força secreta que o leva até a sua plena realização. O grão de mostarda é a menor de todas as sementes, mas cresce, e cresce, cresce muito!
Não somos, quando nos colocamos nos braços do Senhor, nós que agimos, mas Ele mesmo. Há um conceito no hinduísmo que é o de Karma Yoga. Yoga é caminho. Karma é ação. Karma Yoga é o caminho de ação como meio de chegar a Deus. Não se trata de cair no ativismo ou de se olhar o Senhor da história a partir de conquistas atingidas, de resultados, já quer esta é a lógica da eficiência, a lógica capitalista. Este é um caminho que nos afasta do Senhor da vida. Os que se intitulam apóstolos ou “servos especiais” do Cristo a muito se afastaram do deus que se imolou na cruz, que se fez serviço e amor salvífico. Karma Yoga é atuar em todas as coisas, em todas as mínimas coisas tendo a convicção, a certeza e o sentimento de que não somos nós que agimos, mas o próprio Deus e a Ele os resultados e a Glória. No mundo de hoje, até em discursos religiosos, a s bênçãos e conquistas é o que importa. Quanta prisão! Se, entretanto, agirmos como uma reles vassoura nas mãos Dele, os resultados – sucesso ou fracasso – não nos pertencem mais, a vanglória, o sucesso e a vaidade sumirão, as angústias e ansiedades perdem sentido. A nossa vida acaba por tornar-se cheia de cor, alegria, poesia. Tudo é Graça, percebida como Graça e gratuidade. Poderemos ter olhos para ver as flores, que pelo caminho vão surgindo, e colher e sentir seu aroma, uma a uma.
A Glória de Deus não nos pertence, a Sua presença acontece, apesar de nós e nas nossas fragilidades. Não se dá apenas por cuidarmos e servimos a vida e o povo que sofre, no seguimento dos passos do Mestre. O acontecimento Dele se dá pelo serviço à vida num mundo de morte, mas num serviço não mecânico, no amor Sacramento, quando o outro é visto como o próprio Cristo a ser amado, adorado e louvado. Em pequenas sementes, em canções e poesias, pequenas e insignificantes, que apontam, testemunham a insistência de sua presença aqui, agora e eternamente.
Queridos irmãos, queridas irmãs,
Mesmo com uma fé pequena, pequenininha como o grão de mostarda, possamos nos permitir sermos regados todos os dias pelo rio da Palavra – alimento salvífico. Tornemo-nos alimento, milho, pão e vinho. Sejamos digeridos, “sumidos”, transformados em fermento, que não se vê. Sejamos poesia, inútil, mas que canta e rega sonhos, que expressa o inefável, o Amor, o próprio Deus.
Sejamos sempre, sempre e sempre, para sempre, pequenos e humildes vasos nas mãos do Santo oleiro, o Santo Espírito.
Uma música simples.
O Evangelho de vida para o mundo inteiro, para todos, em que sejamos, mesmo, uma grande família, sem excluídos, sem esquecidos.
Um vaso novo.
Amém!

o que parece insignificante pode conter a grandiosidade de Deus


CEBI

O que parece insignificante pode conter a grandiosidade de Deus

Quarta-feira, 13 de junho de 2012 - 8h50min
Chama a atenção nas narrativas dos evangelhos a abundância de parábolas atribuídas a Jesus. As parábolas pertencem ao gênero da sabedoria e, a partir de situações comuns de vida, permitem que seja extraído um ensinamento ou uma motivação à ação. Particularmente, servem também para ilustrar os mistérios de Deus.
Pela simplicidade das imagens usadas por elas, as parábolas têm um sentido didático de favorecer a compreensão da revelação de Deus. As parábolas utilizadas por Jesus, com um determinado sentido original, frequentemente foram, pelo processo histórico de transmissão, adaptadas às novas situações das comunidades.
Estas duas parábolas do evangelho de hoje são um estímulo e um fortalecimento da esperança nas comunidades. O lavrador aplica-se com esforços na semeadura e no cultivo da sua plantação. Porém, a vida que se desenvolve a partir da semente é obra de Deus. E uma insignificante semente já tem em si certa grandiosidade que é revelada com o decorrer do tempo.
Os sistemas opressores tecnológicos e econômicos, hegemônicos neste mundo, defendem um determinismo do progresso que os beneficia. Este progresso é proclamado como inevitável, e as exclusões e sacrifícios de vidas decorrentes são consideradas necessárias. Porém, estas parábolas das sementes vão no sentido de fortalecer o projeto de Deus que vem resgatar a vida sobre a terra.
O projeto de Jesus parece frágil diante dos poderes deste mundo. Contudo, o desabrochar e o crescimento deste projeto é a obra de Deus que não será colhida por ninguém. Com imagens tão simples e belas da natureza compreende-se que Deus comunica sua vida a todos, sem discriminações, não havendo ninguém que possa impedi-lo.
Ainda mais, o que parece insignificante hoje, está a caminho de sua plena realização. O Reino de Deus é o banquete da celebração da vida plena para todos, e esta vida vai se manifestando até atingir sua plenitude. Aos discípulos é esclarecido o sentido das parábolas.
"Discípulos" são aqueles, dentre a multidão, que acolhem em seus corações as palavras de Jesus e se aproximam dele, formando comunidade. Comunidade, não hermética, de iluminados, mas aberta, de corações acolhedores, solidários e compassivos. A tradição de Israel expressa pelo profeta Ezequiel colocava sua esperança em atingir, sobre o Monte Sião, a estatura grandiosa dos cedros do Líbano. Contudo, Jesus descarta esta imagem, substituindo-a pela hortaliça mostarda, que, sem grandiosidade, se multiplica às margens do Mar da Galiléia e, humildemente, abriga as aves dos céus.
Fonte: www.paulinas.org.br

CEBI - Centro de Estudos Bíblicos
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Não é possivel abrir caminhos para o Reino de Deus de qualquer maneira - Pagola


CEBI

Não é possível abrir caminhos para o Reino de Deus de qualquer maneira - José Pagola

Sexta-feira, 15 de junho de 2012 - 11h10min
A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4,24-34 que corresponde ao XI Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. Eis o texto...
Com humildade e confiança
Preocupava e muito a Jesus o fato de que seus seguidores terminassem o dia desalentados ao ver que os seus esforços por um mundo mais humano e ditoso não obtinham o êxito esperado. Esqueceriam o reino de Deus? Manteriam a sua confiança no Pai? O mais importante é que não esqueçam nunca como devem de trabalhar.
Com exemplos retirados da experiência dos camponeses da Galileia, anima-os a trabalhar sempre com realismo, com paciência e com uma confiança grande. Não é possível abrir caminhos para o Reino de Deus de qualquer maneira. Tem que ver como Ele trabalha.
O primeiro deles é saber que o seu trabalho é semear, e não colher. Não viverão pendentes dos resultados. Não se devem preocupar com a eficácia nem com o êxito imediato. A sua atenção centra-se em semear bem o Evangelho. Os colaboradores de Jesus têm de ser semeadores. Nada mais.
Depois de séculos de expansão religiosa e grande poder social nós, os cristãos, temos que recuperar na Igreja o gesto humilde do semeador. Esquecer a lógica do colhedor que sai sempre a recolher frutos e entrar na lógica paciente de quem semeia um futuro melhor.
O início do semear é sempre humilde. Mais ainda se se trata de semear o Projeto de Deus no ser humano. A força do Evangelho não é nunca algo espetacular ou clamoroso. Segundo Jesus, é como semear algo tão pequeno e insignificante como "um grão de mostarda" que germina secretamente no coração das pessoas.
Por isso o Evangelho só se pode semear com fé. É o que Jesus quer lhes fazer ver com as Suas pequenas parábolas. O Projeto de Deus de fazer um mundo mais humano leva dentro uma força salvadora e transformadora que já não depende do semeador. Quando a Boa Nova desse Deus penetra numa pessoa ou num grupo humano, ali começa a crescer algo que a nós nos desborda.
Em momentos como esse, na Igreja não sabemos como atuar nesta situação nova e inédita, em meio a uma sociedade cada vez mais indiferente a dogmas religiosos e códigos morais. Ninguém tem a receita. Ninguém sabe exatamente o que há para fazer. O que necessitamos é procurar caminhos novos com a humildade e a confiança de Jesus.
Mais cedo ou mais tarde, nós, os cristãos, sentiremos a necessidade de voltar ao essencial. Descobriremos que só a força de Jesus pode regenerar a fé na sociedade descristianizada dos nossos dias. Então aprenderemos a semear com humildade o Evangelho como início de uma fé renovada, não transmitida pelos nossos esforços pastorais, mas gerada por Ele.
Instituto Humanitas Unisinos (IHU)
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JUVENTUDE E JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL: perspectivas ecumênicas


CEBI

Juventude e Justiça Socioambiental: perspectivas ecumênicas

Sábado, 16 de junho de 2012 - 1h10min
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O livro da REJU Juventude e Justiça Socioambiental: perspectivas ecumênicas reúne as motivações e desejos da juventude ecumênica de falar de crises e alternativas ambientais. O livro reúne análise e poesia, ativismo e dança, Bíblia e teologia. No coração do livro a juventude apresenta 5 estudos bíblicos que merecem ser "escutados" e "dialogados" com os grupos que fazem leitura popular da Bíblia. Uma nova geração de biblistas - meninos e meninas - vem chegando e o CEBI compartilha deste espaço comum com muita alegria sob os olhares de benção e desafio de Leonardo Boff e Ivone
O livro será lançado no próximo dia 19, na cúpula dos Povos, durante a Rio+20.
Compre ou escreva para vendas@cebi.org.br.

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

FORMAÇÃO: EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E MOVIMENTO SOCIAL

O curso tem a proposta de fornecer conhecimento teórico da perspectiva marxista num diálogo com a vida concreta das pessoas e da atuação prática em movimentos sociais, em especial de pessoas que já atuam da defesa dos interesses populares, das mulheres e da educação popular com as camadas mais desvalidas  da sociedade. Poderei colocar as reflexões oriundas de meu caminhar, inclusive teológico, a serviço de pessoas que buscam ter mais consistência no pensar de sua vida e de suas práticas pessoais e sociais e que se deparam com os conflitos institucionais e com os diversos grupos políticos que se trituram na caminhada, perdendo o referencial concreto da vida. Esperamos fazer, juntos, uma caminhada dialógica e  com dinâmicas em que todos possam exercer o direito da fala e da construção de um saber compartilhado.
Será uma deliciosa partilha de saberes e de vidas em conluio amoroso.
“A educação é um ato de amor, por isso, um 
ato de coragem. Não pode temer o debate. A
análise da realidade. Não pode fugir a
discussão criadora, sob pena de ser uma
     farsa.”.

Paulo Freire, in: Educação como Prática da Liberdade (2006:104)


Formação: Educação, Sociedade e Movimento Social.

Início: 30 de junho – Horário: das 9hs às 13hs.

Local: Paróquia Santos Mártires – Rua Luis Baldinato, 09 – Jd. Ângela

Contribuição solidária: R$ 15,00

Formador: Paulo César Portellada

Filósofo, pós-graduado em Direitos Humanos pela PUC de Goiás, cursou
também Administração de Empresas e Direito, pós graduação em Ensino
Religioso e também
 em Bíblia. Cursando Teologia na Universidade Metodista. Foi
coordenador de Pastoral da Juventude, e da Pastoral Universitária. Foi
da equipe de planejamento da Arquidiocese de SP na gestão de D Paulo.
Acupunturista, Terapeuta Floral, professor convidado do Curso de pós
graduação em Acupuntura para fisioterapeutas e médicos. Especialista
em Acupuntura Constitucional. Conhece teologia comparada, Budismo, Zen
budismo, Judaísmo. Ministro leigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e biblista do Centro Bíblico Verbo Divino.


Conteúdo programático:

Interações sociais e políticas num mundo em movimento


 I – Introdução: a relação teoria e prática - Marx, história e vida.

·        Paradigmas do seu pensar: mais valia e dialética
·        Pensamento político: o centralismo democrático

II – Utopia e construção social: entendendo seu funcionamento

·        Anarquismo
·        Liberalismo
·        Socialismo
·        Comunismo
·        Neoliberalismo

III – Gramsci

IV – Movimento Social, Política e Estratégias

V – Teologia da Libertação – Teoria e Práxis

VI – O Pensamento de Paulo Freire – Fundamentos e Paradigmas.

VII – Educação Popular e Transformação Social

·        Questões e questionamentos
·        Economia Solidária e seu Papel
·        Gestão, conhecimento e Movimento Social

Inscrições até 22 de junho

Contato: 5833-6580 c/ Suzy das 10hs às 17hs.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ECONOMIA VERDE FERE MARCO DOS DIREITOS HUMANOS


CEBI

Economia Verde fere marco dos direitos humanos

Terça-feira, 12 de junho de 2012 - 20h52min
Em nota pública, rede formada por agências ecumênicas europeias e entidades brasileiras afirma que a implementação do marco regulatório internacional já existente e criado nas últimas décadas seria suficiente para produzir uma revolução nas práticas e valores para um futuro baseado em justiça ambiental, social, cultural e econômica.
O PAD - Processo de Articulação e Diálogo Internacional para os Direitos Humanos - rede formada por seis agências ecumênicas europeias e mais de 160 entidades parceiras no Brasil - divulgou nesta segunda-feira, dia 11 de junho a nota pública "Rio+20: ‘economia verde' fere marco dos direitos humanos".
No documento, a articulação afirma a Rio+20 e a Cúpula dos povos como momentos oportunos para repensar o atual modelo de desenvolvimento injusto e predatório. "Está colocada uma oportunidade de rever os paradigmas que orientam, equivocadamente, as relações de poder, produção e consumo entre países e povos do planeta, orquestrados pelos grandes conglomerados transnacionais", afirma a nota.
O documento critica a proposta da "economia verde" como solução para a sustentabilidade planetária e afirma que trata-se de mais do mesmo: "crescimento desmesurado, devastação descontrolada, sob o verniz de uma ecologia de mercado". A rede também se posiciona contrária ao que é "mais uma concessão à redução da agenda dos direitos humanos", citando o documento oficial da Conferência.
Por fim, afirma que a adesão dos Estados aos pactos de direitos humanos deve ser o real parâmetro com vistas a um desenvolvimento sustentável justo. E que "os pactos de direitos humanos e o conjunto de pactos, convenções e declarações, fruto das negociações entre os Estados, para cuidados ecológicos com vistas à sobrevivência da sociobiodiversidade planetária, constituem marcos regulatórios apropriados ao desenvolvimento sustentável e justo".
A nota atesta: "não carecemos de marcos regulatórios, senão de implementação dos mesmos. Metas do Desenvolvimento Sustentável que reproduzam as frustradas Metas do Milênio não são necessárias".
Mais informações no site do PAD: http://www.pad.org.br/

RIO + 20 - O QUE SE PODE ESPERAR?


O presente texto foi feito por Ivo Poletto, com quem tive aula no curso de pós graduação em Direitos Humanos na PUC Goiás.

CEBI

Rio+20: O que se pode esperar?

Quarta-feira, 13 de junho de 2012 - 11h13min
Acabo de ler texto em que está citada entrevista de Joseph Siglitz sobre o socorro da União Europeia à Espanha. Ele é taxativo: isso não funcionou até agora e não vai funcionar. O que se aprofundará é a dependência do Estado em relação aos bancos privados, já que os Estados repassarão algo em torno de 200 bilhões aos bancos, e os bancos suprirão as necessidades do Estado espanhol para enfrentar sua crise de endividamento. Em princípio, os bancos e o Estado ficarão mais endividados, e isso levanta a dúvida: de onde virão os recursos para enfrentar esse endividamento?

A crise europeia revela com a claridade do sol o que significa as sociedades humanas ficarem sob o domínio do capital financeiro. Já lembrava Karl Marx no século XIX: ele é como o ídolo que só se satisfaz com sangue humano. De fato, uma vez aceito que a concentração econômico-financeira capitalista é algo intocável, por ser desenvolvimento natural, só resta sacrificar a fonte da riqueza: o trabalho humano. Vale tudo para satisfazer a volúpia do dominador: crescente desemprego, diminuição do salário, corte das aposentadorias, privatização da educação, da saúde... E agora, através da Rio+20, vale também repassar ao dominador os bens naturais, os serviços ambientais prestados por eles, tornando-os novas commodities e novos créditos especulativos...

Em outras palavras: mantido o mantra de que não se pode nem deve questionar o sistema capitalista dominante - como deixou claro também a presidente Dilma Rousseff em Porto Alegre, no Fórum Social Temático realizado em janeiro deste ano -, a Rio+20 só agravará a crise que afeta toda a humanidade. E provavelmente o fará entregando ao grande capital o que é, até agora, bem comum dos Povos e da humanidade, disfarçando o processo de repasse como algo "verde", algo favorável ao "desenvolvimento sustentável". Isso que está sendo denominado "economia verde" não passa de novo sacrifício de vidas, de novo sangue exigido pelo ídolo capital financeiro - sangue de humanos, de animais, de aves, de peixes, de todo tipo de ser vivo.

Por isso, o espaço em que pode desabrochar a esperança nos dias da Rio+20 é o da Cúpula dos Povos. Autoconvocada pelos Povos e Movimentos sociais que a realizam, não tem a força dos Estados submetidos aos interesses do capitalismo dominante, mas tem a força da legitimidade democrática, e seu poder se assenta nas práticas alternativas, não predadoras, não envenenadoras, não promotoras da exploração do trabalho e da natureza; práticas demonstrativas de que já é possível produzir os bens e organizar os serviços necessários a uma vida digna para todas as pessoas em cooperação e harmonia com a Terra. Sua contribuição à história da espécie humana no planeta Terra será desencadear um processo de mobilização cidadã mundial capaz de banir da vida e das metes das pessoas, por absurda, a dominação capitalista.

O desafio, para todos os participantes da Cúpula dos Povos, e esse: seremos capazes de dar este passo absolutamente necessário para a humanidade?
Ivo Poletto, assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social